Ministério do Trabalho realizou levantamento que aponta que as empresas de Bauru pagam, em média, R$ 400,00 de salário
De acordo com levantamento do Ministério do Trabalho, a média de salário do trabalhador em Bauru é de R$ 400,00, ou seja, 122% maior do que o salário mínimo atual que é de R$ 180,00. Esse é o perfil do trabalhador em termos de ganho porque os sindicatos se reúnem e lutam por pisos salariais. Mas, nem todas as cidades são como Bauru.
O aumento de R$ 29,00 do salário mínimo é pouco se considerar que R$ 180,00 não é dinheiro para se viver bem, mas considerando as famílias de baixa renda, o pequeno aumento pode auxiliar em gastos de alimento, vestuário e bens duráveis de menor valor.
De acordo com uma pesquisa realizada pelo Data-ITE, através da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru, (veja gráficos nesta página) o economista Reinaldo César Cafeo, delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), afirma que, verdadeiramente o salário mínimo representaria, no ponto de vista do que foi concebido na era de Getúlio Vargas, entre R$ 900,00 e R$ 1 mil para cumprir o papel que está previsto na Constituição.
O descaso dos governos, o fato da inflação alta nesse período, também o fato de não ter dado a manutenção do poder de compra desse salário, fez com que se chegasse a esse patamar de hoje, sendo um salário humilhante se comparado ao resto do mundo, explicou Cafeo.
Isso é uma constatação, é um fato, então há que olhar a parte prática disso, então, segundo Cafeo, há que se fazer um pacto do Estado com a iniciativa privada no sentido de dar uma recuperação para esse salário nos próximos dez anos.
O também economista Jacques Vivier também participou a pesquisa elaborada pelo Data-ITE e afirmou que o dólar é uma medida segura de comparação, já que a análise enfoca quatro décadas, portanto essa moeda é a escolhida para a pesquisa. Eu acho interessante a idéia de Celso Furtado, que diz que o assalariado se localiza na escala social em termos de múltiplos domínio. Eu ganho cinco, dez, vinte mínimos. Isso de modo que quando o salário mínimo sobe 10%, se o meu salário não sobe também os 10%, deixo de ganhar 10 mínimos e, portanto, me sinto socialmente desclassificado, disse.