A Polícia Civil fez, ontem pela manhã, a segunda parte da reconstituição da morte do menor Henrique Rodrigues de Souza, 16 anos, ocorrida no dia 10 de janeiro deste ano, no Parque Jaraguá, em confronto com a Polícia Militar. A reconstituição tem a finalidade de dirimir dúvidas quanto à ação dos policiais em relação ao comportamento do menor. O laudo que vai esclarecer definitivamente o caso deve sair em 20 dias.
A reconstituição do crime, segundo o delegado que conduz o inquérito, Dinair José da Silva, foi dividida em duas etapas para não haver influências de ambas as partes. A versão da família, que alega que o menor foi executado pela polícia, já foi reconstituída. Ontem, às 6h30, foi a vez dos policiais apresentarem a versão deles.
O delegado disse que uma das alegações da família, de que o adolescente teria sido baleado algemado, foi derrubada após ter sido feita a exumação do corpo, solicitada pelo outro delegado que presidia o inquérito. O corpo não apresentava sinais de algema, relembrou Silva.
As investigações desenvolvidas pelo 1.º Distrito Policial apresentou controvérsias. No desenrolar das investigações, surgiu a hipótese de os disparos terem sido feitos por policiais militares do serviço reservado, ou seja, sem fardas, disse.
Segundo o delegado, há pontos não esclarecidos, por isso foram requisitadas as duas etapas da reconstituição. Queremos apurar se houve legítima defesa, excesso ou não por parte dos policiais, frisou. Um dos pontos apontados pela Polícia Civil como não esclarecido é quanto ao nome que o menor baleado foi registrado no Pronto-Socorro Municipal. O adolescente foi atingido por cinco disparos que resultaram em nove perfurações. Ele foi levado ao atendimento médico e o registro foi feito em nome de Éder Alves de Jesus, ressaltou o delegado.
Posteriormente, a ficha de atendimento foi cancelada e só então o registro foi feito no nome verdadeiro da vítima. Há várias hipóteses, dentre elas que eles (policiais) confundiram a vítima com outra pessoa. Um dos policiais militares que participou da ação no dia dos fatos não compareceu para a reconstituição, ontem.
Um ofício da Polícia Militar informou à Polícia Civil que ele está regularmente afastado e que não foi localizado para participar da reconstituição. Não houve prejuízo para provas, garante Dinair Silva. Segundo ele, o policial já foi ouvido nos autos e com seu depoimento foi reconstituída a parte em que ele estava envolvido, disse.
O delegado garante que não há, em hipótese nenhuma, a intenção de prejudicar as pessoas envolvidas. Eu estou desempenhando a minha função. Trabalho dessa maneira em todos os inquérito que presido. Assim agi na apuração do caso envolvendo a Funcraf, em outro caso envolvendo a Unimed e no caso de suposta omissão de socorro médico. Vim de São Paulo, onde trabalhei no Jardim Miriam e apurei 30 casos de resistência e morte envolvendo a Rota (Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar). Tenho larga experiência, disse.
Dinair da Silva garante que a intenção é esclarecer de uma vez por todas a situação em que o menor foi morto. A partir do momento em que eu receber o laudo das duas reconstituições poderei chegar a uma conclusão e encaminhar o caso para o Ministério Público, concluiu o delegado.