Geral

História de pescador - Pescando bagres em Ohio, EUA

Octavio Santos Antunes
| Tempo de leitura: 2 min

Meu avô possui algumas pequenas propriedades (o que é típico de Ohio) ao redor de Circleville, e em uma delas há duas lagoas de mais ou menos 400 metros quadrados. Como sempre me mostrei interessado em pescaria, meu avô (Earl Palm) me convidou a pescar em suas lagoas sempre que quisesse, para que eu me divertisse nos finais de semana.

O inverno, em Ohio, foi um tanto prolongado, embora ameno, e apenas depois da primeira semana de abril é que as médias diárias ultrapassaram os 20 graus. Só então o pescador tupiniquim em mim voltou ao trabalho (ou melhor diversão). No dia 12 de abril (Sábado de Aleluia), tendo acampado com meu irmão mais novo no sítio, decidi tentar pescar uns bagres (ou catfishes como eles são conhecidos aqui), dos quais a presença eu já havia notado antes do inverno. Naquela ocasião, o bagre levou minha linha com tudo que tinha direito e nada foi capaz de impedi-lo.

Desta vez, no entanto, foi diferente. Às 9 da manhã, com um pedaço de uma espécie de cará que vive na lagoa, e um bom encastoamento (pois os bagres adultos possuem uma dentição em forma de serra tão afiada e poderosa que podem facilmente cortar a fraca linha - 4 Kg - que eu usava) e tendo a tiracolo meu irmãozinho, Joe, lancei minha isca na lagoa.

A água, ainda barrenta por causa das últimas chuvas, me dava esperança de fisgar algo grande, mas com o passar do tempo e nenhum beliscão, comecei, como todo pescador, a arrumar uma explicação para a má sorte. De repente, a puxada! E o bichão não queria sair da água, não! Com o bagre indo de um lado para o outro no meio da lagoa e tomando minha linha, eu já dava como certo que a linha quebraria e eu teria mais uma história pra contar.

Mas foi então que a sorte caiu para meu lado. O bagre, buscando refúgio nas algas que nascem perto da margem, veio nadando feito louco para o meu lado. Mais que depressa comecei a recolher minha linha, até que o bichão chegou a dois passos de mim, de onde depois de uns três minutos de briga consegui tirá-lo.

E esse foi o primeiro dos grandes bagres que vivem naquela lagoa que alguém já viu, uma vez que, de acordo com meu avô, há uns vinte anos, alguns alevinos foram lá soltos, mas por falta de interesse nunca, até então, tinham sido incomodados. No final, eu prometi para ele que antes de voltar para o Brasil ainda pescarei e lhe mostrarei bagres maiores.

(*)Octavio Santos Antunes é bauruense e mora na cidade de Circleville, Ohio, a 43 Km ao sul de Columbus, capital do estado, nos Estados Unidos, desde de agosto de 2000, por intermédio do intercâmbio cultural do Rotary International e do Rotary Bauru Terra Branca, seu patrocinador. Ele voltara ao Brasil em julho.

Comentários

Comentários