Geral

O corpo da mototaxista Patrícia Correia Lima, 30 anos, foi encontrado no início da tarde de ontem em um canavial às margens da rodovia Bauru-Jaú. A Polícia ainda não tem pistas do autor do crime.

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 7 min

Terminou ontem o drama vivido pela família da mototaxista Patrícia Correia Lima, 30 anos, que morava e trabalhava em Bauru e estava desaparecida há 22 dias. O corpo dela foi encontrado, no início da tarde, em um canavial às margens da rodovia Bauru-Jaú, dois quilômetros depois da entrada de Guaianás. O corpo, em adiantado estado de putrefação, foi reconhecido pela família no Instituto Médico Legal (IML). Familiares da vítima esperam que o caso seja esclarecido e os culpados, punidos. O encontro do cadáver determina novos rumos às investigações.

O corpo da mototaxista foi localizado por um trabalhador rural, quase que por acaso, no início da tarde. Sentindo o mal cheiro exalado pelo cadáver, o trabalhador rural chegou ao corpo que, provavelmente, tenha sido desovado no local. O lavrador acionou as polícias Militar e Civil de Bauru, que foram ao local, fizeram os levantamentos preliminares e transferiram o cadáver para o IML.

No final da tarde de ontem, a polícia já tinha a causa da morte da mototaxista. Ela foi morta com cinco facadas que atingiram-a no braço direito, no abdômen, no lado direito, e nas costas. O encontro do cadáver muda o rumo das investigações que estão sendo desenvolvidas pela Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), segundo o titular da delegacia, José Jorge Cardia.

Quem teria interesse na morte de Patrícia? Esta é a pergunta que, segundo o delegado J.J. Cardia, está direcionando as investigações, que tomaram novos rumos com o aparecimento do corpo da mototaxista. A hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte) está praticamente descartada pela polícia porque a pulseira, o relógio de pulso, o tênis e outros pertences de Patrícia não foram roubados. A moto dela, avaliada em cerca de R$ 10 mil, foi apreendida no Parque São Geraldo logo após o desaparecimento de Patrícia.

J.J. Cardia tinha esperanças de que a mototaxista estivesse viva. Porém, com o aparecimento do corpo, o delegado direcionará as investigações para outros focos. A Patrícia tinha muitos relacionamentos e de vários tipos. As pessoas ligadas a ela serão todas investigadas, disse.

O delegado pretende chegar às pessoas que eventualmente teriam interesse na morte de Patrícia. Vamos pesquisar os relacionamentos dela para descobrir que tipo de ligação ela tinha com cada uma dessas pessoas e qual delas pode ser o mandante ou o autor do crime, frisou Cardia.

Ele não revelou, mas sabe-se extra-oficialmente que Cardia tem pistas dos envolvidos no caso. De acordo com o delegado, a hipótese de envolvimento com drogas não está descartada. Por vários motivos, o delegado não acredita que a mototaxista tenha sido morta naquele local. Só a perícia vai revelar. Na minha opinião, o corpo foi desovado, talvez no mesmo dia da morte, no local onde foi encontrado, frisou. Pelo estado adiantado de putrefação, Cardia acredita que a vítima tenha sido morta no dia em que desapareceu, 12 de abril.

Desaparecimento

O desaparecimento de Patrícia Lima aconteceu no dia 12 de abril, véspera do feriado da Páscoa. Ela foi vista no período da manhã, quando deixou sua casa rumo a duas viagens para a qual havia sido contratada, uma para São Manuel e outra para Avaí. No posto de combustível onde costumava abastecer a moto ela conversou com o frentista e seguiu viagem.

Passou pela ponto onde trabalhava, na avenida Duque de Caxias, em frente ao prédio da Telefonica, conversou com os companheiros de trabalho e avisou que faria as duas viagens e, em seguida, iria para uma chácara de amigos, onde passaria o feriado prolongado.

A mototaxista pretendia, no final da tarde daquela quinta-feira, fazer compras e se juntar aos amigos para ir à chácara que eles haviam alugado. Nesta ocasião, a mototaxista utilizava um aparelho celular de uma amiga. Como não apareceu para fazer as compras e o celular utilizado por ela foi encontrado por um estranho, a família registrou o desaparecimento de Patrícia.

Passo a passo

Patrícia desapareceu no dia 12 de abril, quinta-feira. No dia seguinte, o celular usado por ela foi encontrado por um funcionário de um frigorífico na rodovia Marechal Rondon. Segundo ele, o ocupante de uma moto teria deixado cair o celular.

Onze dias depois do desaparecimento da mototaxista, a DIG/Garra localizou a moto de Patrícia, uma CB 500, placa CVQ 5797/Bauru. A moto estava no quintal de uma residência no Parque São Geraldo. Dois adolescentes, que estavam com a moto, foram apreendidos pelo juiz da Infância e Adolescência.

A moto foi encontrada pintada nas cores da bandeira brasileira. A polícia descobriu, nesta mesma época, que um dia antes de desaparecer a mototaxista havia recebido um telefonema da oficina onde um dos menores trabalha.

O aparelho celular de Patrícia foi encontrado e a polícia requisitou o rastreamento das ligações desse aparelho e do aparelho que ela emprestara de uma amiga. A polícia, descobre, então, várias pessoas ligadas a Patrícia.

Na primeira versão apresentada pelos menores, tida como infantil demais, eles contaram que estavam com uma bicicleta pintada nas cores da bandeira brasileira quando foram abordados por um desconhecido, no pátio de um supermercado, na Vila Santa Luzia. O desconhecido teria pedido a eles que fizessem a mesma pintura em uma moto CB 500. Eles tomaram o serviço e no dia seguinte o dono da moto fez a entrega do veículo, no pátio do supermercado, sem perguntar quem eram eles.

Para o serviço eles teriam recebido R$ 80,00, para compra das tintas, e na entrega da moto, receberiam mais R$ 120,00. Antes da pintura ficar pronta, a polícia apreendeu o veículo. A entrega da moto seria feita no mesmo local. Eles juraram não conhecer o dono da moto. A história não convenceu nem o delegado e nem o juiz que acompanhou o depoimento deles. Ambos foram recolhidos à Cadeia Pública de Bauru. Na segunda versão, os menores mudaram a história.

Segundo um deles, um dia antes de ter desaparecido, a mototaxista teria feito uma corrida para um deles. No trajeto, teria dito que precisava desaparecer e ofereceu para que o menor desse um fim na moto. Ele teria topado a proposta. No dia seguinte, quinta-feira, ela teria embarcado para uma cidade longe de Bauru. A informação não foi confirmada. No Terminal Rodoviário, dois funcionários afirmaram que viram Patrícia por lá, só que na sexta-feira e não na quinta. Na opinião do delegado, mesmo essa versão não estava convincente, por isso, os menores continuavam apreendidos.

Família tinha esperanças

Há 22 dias os familiares da mototaxista Patrícia Correia de Lima perderam a tranqüilidade. Cada vez que o telefone tocava, era um sobressalto. A esperança de que ela estive viva estava latente. Muitas noites foram passadas em claro pelos parentes mais próximos, que procuravam Patrícia desde o dia em que ela saiu de casa para trabalhar e nunca mais voltou. O irmão dela, Sidnei Olivio Correia Lima, que mora em São Paulo, procurou por ela em matagais e locais onde seria possível encontrar o corpo.

Os parentes de Patrícia não se conformavam com seu desaparecimento. A mãe ainda não tinha sido avisada da morte dela até o final da tarde de ontem. O pai, que mora em São Paulo e que havia deixado a cidade na quarta-feira passada, depois de incansável procura, foi avisado do encontro do corpo e estava retornando a Bauru.

O primo da mototaxista, Alexandre Ducatti, que fez o reconhecimento do corpo no IML, disse que finalmente estava encerrado o martírio da procura. Tínhamos a expectativa de que ela estivesse viva. A partir de agora, vamos esperar que a polícia encontre o autor do crime e esclareça de uma vez o que aconteceu com a Patrícia, disse.

Ele revelou que durante os 22 dias de expectativa muita coisa aconteceu. Minha casa estava sendo vigiada por um desconhecido. Depois que a polícia foi avisada, ele desapareceu disse. Ducatti esteve no local onde o corpo foi encontrado, juntamente com o tio da vítima, Willian Leandro Moreira. Ambos foram aconselhados pela polícia a não se aproximarem, uma vez que o estado do corpo era de putrefação.

Comentários

Comentários