Presidente estadual do PDT diz que alguns políticos usam os partidos como motel: Dormem uma noite em cada um
O presidente do diretório estadual do PDT, deputado federal José Roberto Batochio, afirmou ontem, em Bauru, que exigiu do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) e dos demais parlamentares pedetistas fidelidade no cumprimento do programa do partido. Segundo ele, Tobias - que recentemente deixou o PDT para se filiar ao PSDB - trocou um partido trabalhista socialista por um que é neoliberal.
Além de se reunir com militantes, lideranças e vereadores do PDT local para definir o futuro da legenda na cidade, Batochio também fez uma palestra na Universidade do Sagrado Coração (USC), abordando o tema Cidadania - Responsabilidade Social. O deputado não poupou críticas aos parlamentares que trocaram o PDT pelo PSDB, partido do governador Geraldo Alckmin.
Ele usou trechos de pensamentos do dramaturgo Nélson Rodrigues para ilustrar suas declarações a respeito da debandada. A respeito do amor, Nélson Rodrigues dizia o seguinte: Se acabou é porque não era. De modo que, na política, quem saiu do partido é porque nunca pertenceu a ele.
Na sua avaliação, muitos políticos usam a legenda para se elegerem sem ter nenhum compromisso com seu programa. Batochio diz que o PDT é um partido trabalhista, de centro-esquerda equilibrado, que entende que o socialismo se projeta no humanismo e no atendimento das metas sociais.
Como é que pode alguém que estava num partido que pensa dessa forma ir para um partido liberal, que acha que a livre concorrência tem que prevalecer, que o livre mercado tem que estabelecer as leis da economia e que não tem compromisso com a justiça social? De trabalhista e socialista, ele (Pedro Tobias) foi ser neoliberal com o PSDB.
Em tom irônico, Batochio afirma que não quer dizer com isso que Tobias seja um desses políticos motel. Há um jargão na política que diz assim: Atualmente não há identidade entre os políticos e os partidos. Os políticos usam os partidos como motel: dormem uma noite em cada um. Eu não tenho esse perfil. Respeito e não critico quem muda de partido. Tem pessoas que são coerentes durante uma vida toda com as suas escolhas, suas opções. Tem outras que mudam de idéia. É um direito que elas têm.
Exigências
O presidente do diretório estadual do PDT explicou que, ao assumir o comando do partido, começou a fazer exigências dos deputados pedetistas. Em entrevista concedida a Rádio Unesp FM, Pedro Tobias afirmou que estava deixando o PDT porque não se entendia com Batochio e muito menos reconhecia nele uma liderança da legenda. O deputado federal relatou, durante entrevista coletiva, que listou as normas que deveriam ser seguidas pelos parlamentares.
Primeiro, não votar com esse governo neoliberal. E tinha deputados estaduais do meu partido que votavam sistematicamente com esse governo. Eu exigi fidelidade ao nosso programa, honestidade, coerência e absolutamente nenhuma negociação que resultasse em vantagens pessoais para o parlamentar, em detrimento da orientação programática do partido. Muita gente não gostou disso. Não gostou, o que se vai fazer. O jeito é procurar o seu ninho.
Na avaliação do líder pedetista, é mais válido ficar com o partido homogêneo do que com uma colcha de retalhos. Batochio garante que um deputado do seu partido chegou a mostrar interesse no arquivamento da CPI do Pedágio. Aí eu dei uma dura e ele saiu do partido. Disse ainda que não concorda com minha liderança.
Cassação
Na opinião do presidente do diretório estadual do PDT, os senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), José Roberto Arruda (PSDB-DF) e Jader Barbalho (PMDB-PA) devem ser cassados por conta das denúncias que pesam contra eles. ACM e Arruda violaram o sigilo de voto no painel.
Isso é imperdoável. É cassação mesmo. O Jader precisa renunciar à presidência do Congresso. Como é que eu explico para meu filho que pertenço a um Congresso que é presidido por Jader Barbalho?