O presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Bauru (Sindtran), Elias Pinheiro da Silva, considerou péssimo o resultado da mesa-redonda realizada no Ministério do Trabalho (MT), na tarde de ontem. Segundo ele, as três empresas de transporte coletivo - Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB), Baurutrans (Kuba) e Cidade Sem Limites (TUA) - não aceitaram nenhuma das reivindicações que estão sendo feitas para o acordo coletivo/2001 da categoria. Silva diz que, na próxima semana, poderão ocorrer paralisações repentinas no sistema de transporte, como uma forma de protestar contra o impasse.
De acordo com Silva, as principais reivindicações são jornada de seis horas (atualmente é de sete horas e 20 minutos) e a conseqüente criação do terceiro turno de trabalho; tíquete alimentação no valor de um salário mínimo (R$ 180,00); Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 30% do valor do salário de cada trabalhador paga em outubro deste ano e mais 30% em março de 2002; reajuste salarial na mesma proporção do reajuste do mínimo; plano de atendimento médico extensivo aos familiares dos titulares; R$ 802,50 de salário para os motoristas; R$ 695,00 para os motoristas/manobristas, e de R$ 609,90 para os cobradores de ônibus.
A pauta de reivindicações elaborada pelos trabalhadores já tinha sido enviada às empresas no mês passado, já que maio é a data-base da categoria. Segundo Silva, a contraproposta apresentada pelas empresas oferecia reajuste zero e que as cláusulas do acordo coletivo anterior fossem mantidas. Além disso, a ECCB, que já oferece tíquete alimentação de R$ 80,00 aos funcionários, teria proposto a exclusão deste benefício. É totalmente o contrário do que nós pedimos, porque queremos um aumento desse tíquete, bem como implantá-lo nas outras duas empresas que ainda não o oferecem, diz Silva.
A mesa-redonda de ontem foi marcada com o objetivo de tentar avançar nas negociações entre empresas e sindicato. Porém, para o presidente da entidade representativa dos trabalhadores, foi totalmente inútil. Diante disso, uma nova mesa-redonda foi agendada para o próximo dia 14, às 15 horas. Vamos tentar novas negociações no dia 14 porque estamos dispostos e abertos à isso. Porém, devo registrar que acho muito estranho que essas discussões sobre a tarifa dos ônibus do sistema de transporte coletivo de Bauru estejam ocorrendo justamente na época da data-base da categoria, diz Silva.
De acordo com ele, mesmo com a nova mesa-redonda já marcada para o dia 14, na próxima semana o sindicato poderá promover paralisações no sistema de transporte coletivo para manifestar a insatisfação dos trabalhadores em relação ao impasse sobre o assunto. Faremos de tudo para evitar uma greve. Mas, as paralisações poderão ser realizadas quantas vezes forem necessárias, já que isso é um direito adquirido pelos trabalhadores, afirma Elias Pinheiro da Silva.