Ontem, a agência central do Bradesco de Bauru (localizada na esquina das ruas Agenor Meira e Ezequiel Ramos) permaneceu fechada até o meio-dia. A paralisação foi promovida pelo Sindicato dos Bancários de Bauru e Região para protestar contra o grande número de demissões de funcionários ocorridas recentemente. De acordo com o assessor de comunicação do sindicato, Marcos Silvestre, nas últimas semanas o Bradesco demitiu cerca de dois mil bancários, entre as maiores cidades do País. Somente na Capital paulista, esse número já chegaria a mil demissões. Em Bauru, nove trabalhadores já foram demitidos.
Para se ter idéia da dimensão da redução do número de bancários no Bradesco, o maior banco privado do País, Silvestre diz que em 1989 a instituição contava com 104 mil empregados. Atualmente, seriam 48 mil. Em Bauru, o Bradesco conta, no momento, com cerca de 130 funcionários. Em 1990, eram mais de 250, de acordo com o sindicato.
No nosso entendimento, esse processo de redução de pessoal é totalmente injustificado, sobretudo, quando se leva em consideração que o lucro do banco tem aumentado ano após ano. Em 1998, o lucro foi de R$ 1,01 bilhão; em 1999, de R$ 1,10 bilhão e, em 2000, o lucro foi de R$ 1,74 bilhão. O número de funcionários do Bradesco é inferior ao necessário para que seja prestado um bom atendimento à população. Na verdade, há falta de funcionários em todas as dependências do banco. Prova disso é o número de denúncias encaminhadas ao sindicato em função da lei que limita o tempo de permanência nas filas das agências bancárias, que já totalizaram 16 para o Bradesco (primeiro lugar no ranking de denúncias), afirma Silvestre.
Outro problema, segundo o assessor de comunicação do sindicato local, é que estariam sendo demitidos trabalhadores portadores de Lesões por Esforços Repetitivos (LER). Até o momento, o sindicato apurou que dois portadores de LER foram demitidos em Bauru. Diante dessa situação e da intransigência da diretoria do Bradesco em negociar com as entidades de representação dos funcionários do banco, em nível nacional, o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região coordenou a paralisação de ontem. Embora saibamos do transtorno que uma paralisação causa aos clientes, não restou outra alternativa ao sindicato a não ser tomar medidas duras contra a direção do Bradesco, ressalta Marcos Silvestre.
Acionada pelo JC para se manifestar sobre o assunto, a assessoria de imprensa do Bradesco informou que a instituição não tem programa de demissões e que as saídas registradas até o momento teriam ocorrido de forma natural, por meio de avaliação, desempenho ou solicitação de desligamento do próprio funcionário. A assessoria acrescentou, ainda, que no ano passado o Bradesco admitiu 5,3 mil funcionários e que mais 1,6 mil pessoas já teriam sido contratadas durante este ano.