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Máquina de fazer hits

Fabiano Alcantara
| Tempo de leitura: 4 min

Mais moderno, Skank faz show hoje, na Cervejaria dos Monges; leia entrevista com o tecladista Henrique Portugal

Falando por telefone, de Belo Horizonte, o tecladista do Skank, Henrique Portugal, ajuda a compor mais algumas peças para entender o porquê da reviravolta sonora da banda mineira. O grupo, que vem provando que a mediocridade não está ligada com o sucesso, apresenta-se hoje, 23 horas, na Cervejaria dos Monges.

Em Maquinarama, seu mais recente álbum, a banda afugentou a acomodação e fez um disco que abre novos caminhos para o pop brasileiro. Ao mesmo tempo cru e eletrônico, retrô e futurista, o passo adiante do Skank mereceu elogios. A revelação de que os ouvidos de Henrique andam entretidos com os anglo-indianos do Asian Dub Foundation - grupo que faz drum and bass, apimentado com guitarras punk rock, baixo à frente e letras explosivas - é o símbolo de um novo Skank.

Jornal da Cidade - Por que vocês mudaram a sonoridade da banda neste último disco? Henrique Portugal - Na verdade, a mudança de sonoridade é natural. Já estávamos buscando. No disco anterior, era uma coisa que nós havíamos tentado, mas não tínhamos conseguido. Neste, pelo fato de termos gravado no nosso estúdio, aqui em Belo Horizonte, tivemos mais tempo, mais tranqüilidade para tentar isso.

É uma sonoridade obtida com instrumentos mais antigos, várias coisas diferentes, que quando a gente gravava fora, no Rio de Janeiro e São Paulo, não usava. Tem muito equipamento que não agüenta viajar. Às vezes fica difícil levar tudo. Então, a gente optava pelo tradicional. Em Belo Horizonte, nós pudemos usar todos os recursos possíveis e isso influenciou muito na sonoridade. Além disso, pelo fato de estarmos gravando em um estúdio nosso, nós pudemos testar, retestar... brincar mais, ser mais descontraído também.

Normalmente quando vai gravar no estúdio, aquela coisa do horário marcado. Quando o estúdio é muito grande fica aquela coisa da assepsia sonora, assepsia musical. O equipamento é bom, então o som tem que ser limpo. Não era isso que nós estávamos buscando e o resultado do disco é bem condizente com o que nós estávamos buscando.

JC Cultura - Entrou muita coisa eletrônica também. Não fica difícil reproduzir ao vivo?Henrique - Não. Tudo que está no disco está no show. É claro que a gente não leva tudo, mas existem certos aparatos eletrônicos que nos permitem suprir o que não tem condições de levar para o palco. Teclados muito antigos, nós trocamos por outro um pouco mais novo que dê um resultado bastante condizente. Nós estamos levando o computador para o palco há cinco, seis anos. O que mudou foi o uso de outros recursos, samplers, teclados, guitarras diferentes.

JC Cultura - O naipe de sopros continua acompanhando a banda? No disco, há uma economia neste sentido.Henrique - O naipe está no show. Inclusive algumas músicas que no disco não têm naipe, no show tem. Ele já faz parte da história do Skank. Foi uma opção estética não economizar o naipe neste disco.

JC Cultura - O último show do Skank em Bauru foi visto por 20 mil pessoas e desta vez será em uma casa noturna. Que tipo de show vocês preferem? Henrique - Na verdade é um perfil diferente. Não tem isso de um ser melhor que o outro. Tocar para mais gente possibilita um show cheio de aparatos técnicos. Em compensação, você tocar em um lugar melhor, você tem a proximidade com o público. Tocar para 20 mil pessoas é maravilhoso. Os dois tem suas vantagens.

JC Cultura - Belo Horizonte sempre foi muito forte na cena musical brasileira. Estando aí, você tem visto alguma boa novidade despontar?Henrique - A gente sempre procurou ajudar a cena pop rock belorizontina. Depois do Skank veio o Jota Quest, o Pato Fu, agora tem o Tianastácia, o Marys Band, o Terral. Tem várias coisas acontecendo. Atualmente, nós estamos fazendo aqui no nosso estúdio o disco da banda de Porto Alegre Acústicos & Valvulados. Eu e o Haroldo que estamos produzindo o disco deles.

Isso é bom porque nós podemos passar nossa experiência para terceiros e também nós acabamos agregando informações novas para o nosso trabalho. As pessoas escutam músicas diferentes, têm formações musicais diferentes. A troca de informações é sempre muito boa.

JC Cultura - O que você anda ouvindo ultimamente?Henrique - No meu carro eu estou ouvindo Asian Dub Fontation. É muito bom, todos os dois discos deles são muito bons. O primeiro é um pouco mais eletrônico. Tem umas misturas de reggae, dub, muito bacana. Eu gosto de escutar umas coisas eletrônicas, às vezes um pouco mais antigas, que eu não ouvia tanto. Underworld é muito bom, eu também estou escutando agora Everclear.

JC Cultura - Falando nestas bandas, como vai a carreira internacional do Skank?Henrique - Vai bem. O Maquinarama saiu em Portugal, Japão, Argentina, Chile, vários países da América Latina. Nós estamos acabando de organizar a nossa turnê européia, agora para o meio do ano. De lá, nós vamos para o Japão.

Serviço

Skank, com o show Maquinarama. Hoje, 23 horas, na Cervejaria dos Monges. Patrocínio: Flag e Tilibra. Apoio: Saint Paul Residence, 96 FM e Jornal da Cidade. Abertura da casa: 21 horas, danceteria depois do show. Preços não divulgados. A Cervejaria fica na avenida Getúlio Vargas, 7-50. Informações: 234-7773.

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