A fibromialgia, uma dor enigmática generalizada por todo o corpo, acomete as mulheres na maioria absoluta. Na proporção de 9 para 1, as mulheres jovens são as que mais sofrem desse mal. Por ser de difícil diagnóstico, a fibromialgia, que não tem causas aparentes, ainda é pouco conhecida entre as pessoas, mas por outro lado, o número de pacientes que apresentam esse quadro é bastante grande
A fibromialgia é uma síndrome complexa, de difícil diagnóstico, tratamento incerto e que pode aniquilar com a vida emocional e produtiva de uma pessoa. Ainda considerada um mistério para alguns médicos e pesquisadores, a doença é comum em mulheres jovens, de 20 anos a 45 anos.
A fibromialgia provoca dores musculares intensas, difusas e incessantes que limitam qualquer atividade física, além de gerar distúrbios no sono, fadiga, cefaléia (dor de cabeça), formigamento, inchaço nas mãos constipação intestinal, angústia e depressão.
A chave para desvendar o enigma da dor fibromiálgica parece estar relacionada a disfunções nos sistemas endócrino, neurológico e imunológico do ser humano, já que a produção de certas substâncias pelo corpo sofreriam alterações de níveis e afetariam esses sistemas. Há pesquisas que apontam as causas para herança genética.
De acordo com o pesquisador da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC - Campinas), José Roberto Provenza, dentre as várias substâncias, as alterações de níveis da serotonina e a substância P poderiam explicar os erros na transmissão dos estímulos dolorosos. São substâncias importantes no mecanismo de percepção da dor, sem falar que a serotonina é reguladora do sono e está ligada à depressão, disse em entrevista a revista Momento.
Assim, o portador da síndrome tende a não dormir a fase profunda do sono, quando o organismo recarrega as baterias, afetando a produção de endorfina, que é responsável pelas sensações de bem-estar. Por outro lado, numa certa fase da doença, a depressão originada pela dor intensa passa a ser causa do mal. Vai se tornar um círculo vicioso, no qual o paciente sofre com a dor e fica deprimido: a depressão interfere no metabolismo e as dores serão percebidas com intensidade.
De acordo com o médico reumatologista, Herbert Newton Campos Moreira, depois que o médico explica para a paciente o que é a fibromialgia, como ela afeta os doentes e como será o seu quadro evolutivo, cerca de 40% a 50% das pacientes apresentam melhoras.
Normalmente, as pacientes chegam ao consultório emocionalmente abaladas justamente por não saber o que lhes atinge, agravando ainda mais a fibromialgia, que é uma doença que não deforma, mas mexe com o cotidiano das pessoas.O envolvimento familiar no tratamento é essencial.