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Tuga abre o jogo e desiste do PSDB

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Ex-deputado federal permanecerá no PSB e diz que está disponível para disputar as eleições do ano que vem

As especulações sobre a permanência do ex-deputado federal Tuga Angerami no PSDB, depois da filiação do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) no partido tucano, chegaram ao fim, ontem. Eu não vou mais para o PSDB, afirmou. Tuga diz que se reserva ao direito de escolher com que faz política. E eu jamais vou fazer política com Pedro Tobias e seu grupo. Não posso conviver com pessoas as quais avalio negativamente.

O ex-deputado, que confirmou que chegou a assinar sua ficha de refiliação no PSDB, contava com dois fatores de peso, que no seu entendimento, iriam fazer com que Pedro Tobias não retornasse ao ninho tucano: vergonha e memória. E eu tenho vergonha e memória. Nós temos que respeitar a memória da população.

Tuga lembrou que nas eleições municipais do ano passado, quando disputou a Prefeitura, foi alvo de difamações do deputado estadual - que também foi candidato a prefeito -, comportamento que contou com o apoio de outras candidaturas simpatizantes a do então pedetista Pedro Tobias.

Hoje, o diretório estadual do PSDB será informado oficialmente do desligamento de Tuga, em reunião que será realizada no período da tarde. O comunicado será feito verbalmente à executiva tucana pelo vice-presidente do diretório, deputado federal Antonio Carlos Pannunzio (PSDB), de quem é amigo pessoal.

Trajetória

O ex-deputado federal disse que foi convidado a se filiar ao PSDB através de um convite direto do governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB). O governador me ligou cerca de dez dias antes do Covas (ex-governador Mário Covas) falecer. Ele me disse que contava com minha refiliação para reorganizar o PSDB em Bauru e na região.

Tuga reforça que sempre manteve um bom relacionamento com Alckmin. Fiquei seduzido pelo convite, embora eu já previa que poderia encontrar dificuldades lá na frente, relata. Além do ex-deputado ter o sinal verde de Alckmin, ele também contava com o apoio do ministro da Saúde, José Serra.

O Geraldo e o Serra sempre perguntavam para a cúpula do PSDB de Bauru como estava a minha filiação no partido. Se eu iria ou não. Decidi, então, que iria e até assinei ficha. Como o diretório do PSDB de Bauru estava dissolvido, minha filiação ocorreu através do deputado Antonio Carlos Pannunzio.

Segundo o ex-deputado, sua refiliação foi aprovada pela executiva estadual, inclusive com a proposta de reorganizar o partido em nível local e regional. Na visita que o governador fez às obras do aeroporto internacional, Alckmin reforçou seu desejo de contar com Tuga novamente na legenda.

O Alckmin me relatou seu projeto de transformar o PSDB num partido com perfil mais popular, ou seja, seu desejo é de que os tucanos têm que amassar mais barro, ir para as ruas. E o governador disse que contava com minha ajuda para alavancar esse perfil.

O ex-deputado explica que o processo de refiliação ao PSDB estava correndo tranqüilo. Jamais imaginei que o Pedro Tobias decidiria vir para o partido por dois motivos: por vergonha e por memória. Eram fatores que eu imaginei que o impediriam de se filiar novamente ao PSDB. E eu tenho vergonha e tenho memória, reforça.

Na sua opinião, o governador foi habilidoso na visita que fez a Bauru, no último sábado, quando preferiu não se pronunciar sobre o assunto. Ele sabe que há uma saia justa. Tuga informou que não chegou a se desfiliar do PSB, partido pelo qual concorreu às eleições municipais do ano passado. Sua desfiliação da legenda só teria validade com a apresentação de uma carta à executiva solicitando o desligamento, o que nunca ocorreu.

O ex-deputado federal explicou que tinha como projeto aproximar o PSDB do PSB, inclusive em nível estadual, instância em que as alianças ainda não estão definidas para as eleições do ano que vem. Também era sua intenção levar para o ninho tucano o deputado estadual Carlos Braga (PPB). Sobre o seu futuro político, Tuga fez declarações discretas, mas não escondeu que poderá se candidatar em 2002 sem, no entanto, definir se à Assembléia Legislativa ou à Câmara dos Deputados, em Brasília.

É prematuro dizer. Eu tive 52 mil votos na eleição municipal do ano passado. Isso indica que a população ainda não me mandou de volta para casa. O que eu posso dizer é que estou disponível e tenho interesse.

Tuga afirmou que seu relacionamento político com Carlos Braga está mantido. Ele (Carlos Braga) me deu uma demonstração de grande respeito e amizade nas eleições passadas. Nós construiímos uma relação pessoal muito forte. O apoio dele foi fundamental na eleição para prefeito. E é lógico que nos 52 mil votos que recebi também estão agregados o prestígio do deputado.

O ex-deputado acredita que Bauru vai ter uma alternativa de dobradinha (deputado estadual e federal) para votar nas eleições do ano que vem. Nós vamos tentar oferecer à cidade mais uma dobrada. Vamos ter que administrar a questão partidária porque PPB com PSB não dá, explica, se referindo ao fato de o PSB e o PPB terem perfil político e ideológico diferenciados.

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