O Sesc Bauru lança hoje o projeto Instante Poético. A cada mês, um poeta brasileiro terá trechos de sua obra impressos em filipetas e entregues ao público que comparecer à unidade para os grandes eventos. Para abrir o projeto, o escolhido foi Nidoval Tomé Reis, poeta que viveu 25 anos em Bauru e teve destaque na vida cultural da cidade, sendo delegado de Cultura por dez anos.
Pretendemos homenagear, inicialmente, um poeta da casa, para depois dar seqüência ao projeto com outros escritores, como Carlos Drumond de Andrade, Mário Lago e Cora Coralina, por exemplo, explica a animadora cultural Patrícia Piquera, que coordena o projeto no Sesc.
Nidoval Tomé Reis foi também repórter, radialista e colaborador do Jornal da Cidade e outros periódicos locais, além de ter passado por outras profissões ligadas às áreas de saúde e administração. Ele nasceu em 21 de dezembro de 1922, em Laranjeiras, distrito de Barretos (SP). Era autodidata e só tinha completado o primário (4.ª série).
Publicou sete livros: Sob a Sombra da Desgraça (1951), Um Pouco Além do Mundo (1955), Quinze Poemas e um Soneto para Minha Mãe (1965), Chuva Miúda Trovas (1968), Onze de Antigamente Sonetos (1982), Calendário de Trovas (1981) e Calendário de Poemas (1983).
O poeta dá nome ao Centro de Educação e Recreação (CER) do Mutirão Luiz Edmundo Coube; também é o nome da praça localizada na avenida Cruzeiro do Sul, no bairro Redentor III; foi tema de samba-enredo da Escola de Samba Deixa Falar, em 1987; recebeu um monumento na Praça Rui Barbosa, a onde metade de suas cinzas foram espalhadas; recebeu medalha de honra da Associação dos Ex-Combatentes do Exército e foi título de concurso de poesia em 1987.
Vida marcada
Antes de vir para Bauru, Nidoval Reis morou em várias cidades e permaneceu dez anos entre internações em sanatórios, para onde transferia-se constantemente devido ao tratamento da tuberculose. Faleceu em 15 de fevereiro de 1985 e recebeu inúmeras homenagens em Bauru, Barretos e outros municípios.
No início de um de seus livros ele cita uma frase de Goethe: Faze de tua dor um poema. E realmente sua obra é marcada por duas fases distintas, mas ambas marcadas por um pessimismo que o impulsionou devido à grave doença. Na primeira fase, temas como a tristeza, a morte e a perda da mãe eram constantes, isso ocorreu quando foi internado pela primeira vez (teve tuberculose aos 18 anos) em Campos do Jordão. Na segunda fase, apesar de manter como tema a tristeza, escreveu sobre mulheres e chegou a ser romântico.
Estilo
A obra do poeta está caracterizada no período realista-parnasiano, segundo o trabalho de Célia Aparecida Romano, do curso de Letras da USC, registrado no Núcleo de Documentação Histórica da Universidade do Sagrado Coração.
Como seus poetas preferidos, Nidoval Reis tinha Manuel Bandeira, Luís Otávio, Guilherme de Almeida, Cruz e Souza, Augusto dos Anjos, Carmen Cinira, Paulo Bonfim e Judas Isgorogota.
No Museu Histórico Municipal de Bauru há diversos documentos, manuscritos, correspondências, fotos, reportagens, entre outras fontes de informações sobre o poeta, material doado pela viúva, Hilda Reis. Ela mantém, ainda hoje, outros documentos e textos de Nidoval em sua residência.
Na Biblioteca Municipal Rodrigues de Abreu não há exemplares dos livros do poeta, que são uma raridade. Apenas amigos e familiares possuem exemplares das obras publicadas.