Geral

Para consertar o Congresso

(*) Pedro Grava Zanotelli
| Tempo de leitura: 3 min

O País está vendo, com um misto de curiosidade e indignação, o que está acontecendo no Congresso Nacional, mais especificamente no Senado. Se não falha a memória, foi o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, quem disse tempos atrás, que toda vez que o Brasil começa a engrenar surge alguma coisa para atrapalhar. Uma vez é a crise econômica da Ásia, outra vez é a crise da Argentina, outras vezes são fatos políticos que perturbam a nossa retomada de crescimento, agora possível com a estabilidade econômica. Com a liberação do câmbio, o dólar deu uma estabilizada próximo aos R$ 2,00 e os negócios começaram a deslanchar e quando se esperava ir até a quinta marcha, pronto, é preciso frear ou jogar para uma marcha mais lenta porque o dólar começou a disparar. Quem pode planejar numa situação dessa?

Não bastasse a perturbação vinda de fora, são os nossos representantes, no nível mais alto do comando do País, que invertem a missão de ajudar para a função de atrapalhar. Diante disso indagamos: o que fazer? Como endireitar as nossas casas de leis? Vem eleição, vai eleição e a coisa não muda. Ainda não aprendemos a trocar o que não é bom. Talvez a questão seja mais filosófica: é preciso endireitar o homem para endireitar o mundo. Em palestra na Faculdade de Odontologia de Bauru, no último dia três, quando proferiu a aula inaugural deste ano, o Reitor da USP, Prof. Jacques Marcovitch, fez uma ilustração com a seguinte história: havia um homem muito preocupado com as coisas que vinham ocorrendo no mundo e estava pensando em como consertá-lo. Num dos seus momentos de reflexão, foi procurado pelo filho pequeno, que ainda não conhecia mapas geográficos. Não querendo ser perturbado mas também não desejando ser desatencioso com o filho, imaginou um expediente para afastá-lo. Vendo um mapa múndi e se lembrando que o filho gostava de quebra-cabeças, apanhou o mapa, recortou-o numa infinidade de pedaços irregulares e deu-os ao filho: tome e veja se consegue consertá-lo. O filho saiu contente com a tarefa e o pai imaginou que, não conhecendo mapas, o filho o deixaria em sossego por muito tempo. Qual nada, duas horas depois o filho voltou com o mapa reconstruído.

- Filho, como você conseguiu fazer isso se você nem sabe o que é um mapa?

- Pai, quando o senhor começou a cortar o papel eu vi que atrás havia a figura de um homem. Então, em vez de consertar o mapa eu procurei consertar o homem que estava atrás. Quando terminei, virei o papel e o mapa estava consertado.

E assim, a Providência deu ao pai a lição que ele precisava para consertar o mundo é necessário, primeiro, consertar o homem. Essa é a nossa missão, como pais, educadores e cidadãos, no trato das novas gerações para evitarmos os ACMs e Barbalhos que atrapalham e envergonham o nosso País. Vamos consertar o Congresso Nacional preparando bem aqueles que poderão ser os nossos futuros representantes. Enquanto isso, que leva tempo, nas próximas eleições vamos deixar de lado interesses e simpatias pessoais para votar em pessoas dignas e competentes.

(*) Pedro Grava Zanotelli é professor e diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru, da ITE - E-mail: pegrazan@techno.com.br

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