O número de registros efetuados no cadastro do SPC em abril foi de 2.449, contra 4.765 no mesmo mês do ano passado
De acordo com o levantamento mensal realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), o número de registros de pessoas inadimplentes no comércio de Bauru teve uma acentuada queda de 48,6% em abril deste ano, na comparação com o mesmo período do ano 2000. Segundo os dados do SPC, no mês passado foram efetuados 2.449 novos registros no cadastro do órgão, contra 4.765 em abril do ano que passou.
O número de consultas (físicas, jurídicas, cheques, cartório etc) feitas por lojistas junto ao SPC também apresentou queda, de 16,45%, em abril, deste ano. O levantamento mostrou 41.054 consultas realizadas no mês passado, contra 49.141 registradas em igual período do ano de 2000.
O número de registros que foram excluídos do cadastro do órgão de proteção ao crédito em abril foi 30,55% menor em relação ao mesmo mês do ano passado. O levantamento mostra 1.650 cancelamentos feitos neste ano, contra 2.376 no mesmo período do ano passado. Analisando os dados, vê-se que dos 2.449 nomes que entraram para a lista do SPC, em abril de 2001, apenas 799 permaneceram registrados no histórico do mês.
À primeira vista, pode não parecer uma notícia boa, porém, é positiva quando comparada à situação encontrada no ano 2000, nessa mesma época. Em abril do ano passado, dos 4.765 novos registros incluídos no cadastro, 2.376 foram cancelados. Ou seja, ainda ficaram restando 2.389 na lista de inadimplentes.
Para o economista Wagner Ismanhoto, os resultados registrados no SPC durante o mês de abril indicam a tendência que vem sendo anunciada por economistas já há algum tempo, que é a das pessoas terem uma responsabilidade e uma preocupação maiores em saldar as suas dívidas para evitar que seu nome passe a constar do cadastro de inadimplentes ou para conseguir tirá-lo da lista. Para Ismanhoto, o número de 68% de registros que foram excluídos do cadastro do SPC no mês passado (em relação aos números que entraram) é a maior prova disso e do empenho dos consumidores no caminho contrário à inadimplência.
Essa realidade é uma tendência que já vem sendo percebida ao longo do tempo. Veja que, apesar de terem entrado mais nomes na lista do SPC, em abril deste ano, do que saído, deve ser ressaltado o fato de que 68% das pessoas conseguiram limpar o seu nome. No ano passado, nesse mesmo período, também entraram mais nomes na lista do que saíram (4.765 registros contra 2.376 cancelamentos). Porém, somente cerca de 50% das pessoas incluídas no cadastro conseguiram limpar o seu nome, analisa.
De acordo com o economista, atualmente, a lista de inadimplentes do SPC aumenta numa velocidade muito inferior em relação ao ano passado. Isso significa que o nível de inadimplência seria realmente menor. No ano passado, na análise mês a mês a lista do SPC crescia muito mais do que está crescendo agora. Quer dizer que, atualmente, o nível de inadimplência é menor quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Isso mostra que os lojistas estariam mais cuidadosos na hora de vender e que os consumidores estão assumindo com mais responsabilidade os seus compromissos com o comércio, o que faz com que os níveis de inadimplência tenham uma redução, diz o economista.
Além da conscientização de trabalhadores e empresários que, na opinião de Ismanhoto, seria uma das causas de um cenário mais estável, a desaceleração dos níveis de desemprego também seria responsável pelo quadro atual. A somatória de vários fatores, incluindo um cenário um pouco mais suave e um período menos crítico da economia brasileira, em relação há dois anos, vai fazendo com que os resultados sobre índices de inadimplência tornem-se mais positivos. Ela continua alta, mas, é possível dizer que a situação atual é melhor quando se compara à realidade de poucos anos atrás, conclui o economista Wagner Ismanhoto.