Geral

AO SR. PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Diorindo Lopes
| Tempo de leitura: 2 min

Prezado senhor: por força da Lei n.º 3115/56, as ferrovias brasileiras, que eram administradas pelo então MVOP - Ministério da Viação e Obras Públicas, foram aglutinadas para formar a estatal RFFSA - Rede Ferroviária Federal S/A, que se constitui de capital misto por ações, em sendo 51% das ações reservadas ao próprio Governo e os 49% à venda.

Acontece que esses 49% das ações não foram vendidos, daí, o Governo manteve o seu patrocínio, e ficou detentor absoluto dos 51% mais 49%, perfazendo um total de 100% que, com o insucesso, a RFFSA continuou com o rótulo de empresa privada e regida pela CLT - Consolidação das Leis Trabalhistas, quando, na realidade, o seu sustento sempre adveio dos cofres da União, porque sua renda sempre foi deficitária, por isso, entendo que é uma entidade de serviço público federal.

Ela, a Rede, continuou no seu capengar, devido às sucessivas e tacanhas administrações, agentes de atos que, numa orgia dantesca, levaram seus servidores ao marasmo, causando-lhe a inanição e o seu sucateamento, para facilitar o caírem nas mãos dos gringos, com a conivência de nossos perversos compatriotas.

Como ex-ferroviário da ex-E.F. Noroeste do Brasil, por mais de 36 anos de serviço efetivo, sinto-me no dever, mesmo sem o porte de procuração, de apresentar-lhe proposta, e que os derrotistas poderão considerá-la quimera, mas não é para eles que escrevo:

A RFFSA vem, agora, oferecer o imponente prédio da ex-estação da ex-E.F.NOB, daqui de Bauru, SP, a qual abrigava, no seu interior, os escritórios dela; da ex-Cia Paulista de Estradas de Ferro e os da ex-E.F. Sorocabana, para honrar o pagamento de dívidas trabalhistas, que, com essa atitude não posso e não devo concordar.

Eis que o bom-senso determina: quem contrai dívidas por incompetência administrativa ou malversação, que seja punido e proceda ao ressarcimento dos prejuízos, e nunca permitir que faça o uso de artimanhas para inocentar-se.

Pois, a ex-E.F.NOB, em sendo uma ex-ferrovia de serviço público, na minha opinião, todos os imóveis que possua dentro dos limites do território geográfico de Bauru devem ser doados ao Município.

Senhor presidente Fernando Henrique Cardoso: pelo exposto, peço-lhe examine o assunto que, inclusive, já há um projeto para erradicar as ferrovias que cortam o centro da cidade, para implantar a operação rodo-ferroviária, na solução dos graves problemas de trânsito dentro da urbe; e, proceder, o mais urgente possível à sua doação para o Município de Bauru.

Ao atender a este meu insólito pedido, subscrevo-me com toda reverência e gratidão. Atenciosamente. (Diorindo Lopes - Oficial de Administração Aposentado da RFFSA).

Comentários

Comentários