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História de Pescador - De volta para o Futuro

(*) Fernando Toyoji Tatemoto
| Tempo de leitura: 4 min

Estamos em 2020, portanto no final da próxima década, quando decidimos programar uma pescaria, como fazíamos regularmente desde os anos 2000.

A nossa turma, continuava a mesma, Café, Lico, João (aquele, irmão do Rato e do Baiano Tá lembrado?) e Eu, todos já incorporados na rotina da terceira idade.

Antes da saída, resolvemos consultar a meteorologia, acessando a Internet totalmente gratuita, conectada via ondas magnéticas, e duas notícias nos chamaram a atenção:

1.ª) Palmeiras segue firme em busca do seu 5.º Título Mundial;

2.ª) Parlamentares votaram em massa pela redução do próprio salário.

Como não poderia deixar de ser, o local escolhido para a nossa aventura, foi o Corgo do Meio, importante braço do rio Tietê, no outrora distrito de Bacuriti. Outrora, porque havia se emancipado de Cafelândia há anos.

Durante o nosso trajeto pela antiga estrada vicinal, agora uma imponente e moderna rodovia, feito num automóvel movido à energia solar, pudemos notar que na beira desta rodovia existiam várias colônias de trabalhadores, comprovando que as famílias tinham voltado para o campo, abandonando as máquinas, pois já eram coisas do passado, evidenciando aquele antigo e sábio provérbio: O mundo é um ciclo. Tudo que sobe, desce e tudo o que vai, volta.

Ao chegarmos no Corgo do Meio, o nosso barco, que estava totalmente dobrado, foi inflado em questão de segundos, somente com o contato com a água. O motor, que já não era mais conhecido como de popa, pesava pouco mais de 2 Kg, de pequeno porte, também movido à energia solar, veloz, silencioso e não poluente.

O Lico já não era mais o nosso piloteiro-mor, porque o barco se movia e direcionava por controle remoto programável, interligado a um dos vários satélites disponíveis.

As varas e molinetes, apesar de serem de outros materiais, a concepção era a mesma, pois o tempo não conseguiu substituir o prazer da fisgada, a sinfonia provocada pelo canto da fricção do molinete e a sensação de vitória ao recolher o peixe usando a manivela.

Às margens dos rios, ricamente povoadas pela fauna e flora, verdadeiros santuários ecológicos, convivendo com o homem em respeito recíproco, era como já imaginávamos nos anos 2000, que a nossa luta de preservação ambiental não seria em vão. Os peixes eram fartos e sadios, de várias espécies e tamanhos.

Acreditamos que, se esta preservação continuar numa crescente, daqui a 20 anos, ou seja, mais precisamente lá por volta de 2040, os peixes estarão nadando em pé (na vertical). Não que haverá uma evolução da espécie, mas pela falta de espaço, tamanho será a quantidade dos cardumes.

As deliciosas marmitas, que eram carinhosamente preparadas pelas nossas esposas, Deth, Fatima, Hirma e Lucia, muitas vezes pela filha do Café, a Tatiana, o tempo se encarregou de transformá-las em apenas duas pílulas.

Os bares do Sr. Mané, em Bacuriti, Bar do Shi e Bar da Ruth, em Cafelândia, onde fazíamos e fazemos a nossa via sacra, antes e depois da pescaria, continuam nos mesmos lugares, porém remodelados, acompanhando as adaptações da época. Com o passar dos anos, devido ao avanço da idade, as nossas bebidas preferidas foram sendo trocadas, com exceção de mim que continuei no refrigerante. O Café, que tomava cachaça pura, o Lico, cerveja, e João, conhaque, trocaram por bebidas energizantes à base de catuaba e guaraná em pó. Por quê? As esposas deles devem ter as respostas.

O Brasil deixou de ser um gigante adormecido. É o país do presente, figurando no primeiro mundo. Uma nação que saiu fortalecida após anos de crise, onde prima pela educação, saúde e segurança. A balança comercial fecha todos os meses em superávit.

Assim, como no cinema dos anos 80 e 90, esta matéria entitulada De Volta Para o Futuro, terá novas reedições, tais como I, II, III, IV ....... Aguardem!

Ah! Antes que eu me esqueça, o Jornal da Cidade continua sendo o mais lido, mas não de forma impressa e sim de forma digital, acessado através de forno microondas, fogão a gás natural biodegradável (derivado do lixo reciclado), celular, televisão a cabo, etc....

O tempo passou, mas as histórias de pescadores continuam as mesmas.... VERÍDICAS.

Para você, que não acredita nestes fatos, resta apenas cuidar bem da sua saúde, pois quem viver verá.

(*) Fernando Toyoji Tatemoto não é contador de histórias, apenas pescador e dos bons

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