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Número de cesarianas cai em Bauru

Redação
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O índice de cesarianas na Maternidade Santa Isabel passou de 37,47%, em 2000, para 29,87% no início deste ano

O percentual de operações cesarianas realizadas na Maternidade Santa Isabel caiu de 37,47%, registrado em 2000, para 29,87%, registrado nos dois primeiros meses deste ano. A informação é do diretor da maternidade, Luiz Castilho, que acredita que a redução seria uma conseqüência da conscientização de médicos e da população sobre a importância do parto normal para a mãe e para o bebê.

O índice registrado ainda não é ideal, de acordo com Castilho, mas reflete uma mudança na concepção da população sobre a operação cesariana em contraposição ao parto normal. Isso mostra que as coisas estão melhorando e que nós estamos no caminho certo. Sofremos uma série de males, que são os males de todo o hospital público do Brasil, mas a tendência é melhorar, afirma.

As orientações médicas e as campanhas que vêm sendo realizadas há cerca de dois anos pelo Ministério da Saúde são fatores que contribuíram para a redução das operações cesarianas, na opinião do diretor da maternidade. Anteriormente, a mulher já vinha para a maternidade pedindo pelo amor de Deus para fazer cesária. Aos poucos, essa concepção está mudando nos postos de saúde. As pacientes estão sendo mais orientadas e os médicos estão tendo uma postura mais conservadora e expectante em relação ao parto normal. Na Maternidade Santa Isabel, nós somos em 15 plantonistas e todos estamos conscientes disso, colaborando para melhorar o índice de parto normal, garante.

O índice de partos normais registrados na Maternidade Santa Isabel vinha crescendo desde 1996 (ver quadro). No entanto, em 2000, houve uma redução - caiu de 67,24%, em 1999, para 62,52% -, que deve-se à implantação da UTI Neonatal. Anteriormente, os casos de maior complicação eram encaminhados à Faculdade de Medicina de Botucatu. Com a UTI, os casos graves, que geralmente precisam de cesária, passaram a ser tratados na própria maternidade.

O parto normal representa uma possibilidade de recuperação mais rápida para a mulher e para o bebê. Além disso, é um fator positivo também para o hospital, já que reduz o tempo de internação da mãe e do neonatal. Existe uma série de situações que podem acontecer durante o parto normal. No entanto, depois que acaba, a recuperação da mãe e do recém-nascido é muito melhor, expõe.

Em contrapartida, as complicações que podem surgir no pós-parto de uma cesariana são maiores. O índice de complicações de um pós-cesariana é infinitamente superior ao parto normal. Pode acontecer hematoma ou pus na cicatriz e existe possibilidade da paciente desenvolver uma esterilidade secundária à cesariana, em decorrência de algumas aderências na trompa, agrava Castilho.

Para o bebê, o parto normal também representa menores possibilidades de complicações no período neonatal, segundo o diretor da maternidade. Quando o bebê passa pelo canal do parto, o pulmão dele é apertado e ele coloca todo aquele líquido para fora. Na cesariana, pode ficar um pouquinho de água no pulmão. Um pediatra diria que o bebê que nasceu de parto normal tem uma recuperação muito mais rápida, afirma.

Castilho enfatiza que, em atendimentos particulares, muitas vezes o índice de operações cesarianas é alto porque o tipo de parto representa uma comodidade para o médico. No parto normal, o médico tem que ficar ao lado da pessoa. Às vezes, o trabalho de parto chega a durar oito horas. Não é todo mundo que tem essa disposição, observa.

Outro fator que mostra-se favorável à indicação do parto normal é o custo. O número de fios da sutura em um parto normal, assim como a dose do antibiótico e o número de dias da internação, são menores do que em operações cesarianas. Ou seja, representam vantagem para o hospital e para a gestante.

Castilho acrescenta, ainda, que a expectativa é de que o atendimento na maternidade melhore com a implantação do Ambulatório de Gestação de Alto Risco, que deverá ser inaugurado até o mês de junho. Ele faz parte do Programa de Humanização do Parto e será uma experiência multidisciplinar porque envolverá o trabalho de cardiologistas, endocrinologistas, nutricionistas, obstetras etc, salienta.

Parto normal

1996 - 54,13%1997 - 57,83%1998 - 57,83%1999 - 67,24%2000 - 62,52%2001* - 70,12%

* - janeiro e fevereiro

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