De acordo com o estilista Granai, o bom senso sempre é a melhor opção
Vestido com brilho? Longo ou curto? Chapéu? Fraque ou meio-fraque? Essas são questões que muitas vezes surgem nas ocasiões de cerimônias e festas de casamento. No entanto, a moda é mais flexível do que muitos pensam, de acordo com o estilista Alexandre Granai. Apesar de pequenas regras para determinados tipos de comemorações, o bom-senso sempre deve falar mais alto.
As opções de modelos de vestidos para noivas são diversas. Há cores, comprimentos e acessórios diferentes que nem sempre seguem regras pré-estabelecidas na composição de um modelo. No caso das noivas, de acordo com o estilista Granai, os vestidos rodados aos poucos têm sido deixados de lado. A tendência, agora, é que os vestidos sejam um pouco mais fluídos do que aqueles bolos bem armados. A tendência é do menos armado para até mesmo o justo.
Quanto à cor, apesar da diversidade de cores utilizadas na confecção de vestidos para noivas, o tradicional branco tem sido bastante solicitado. O que é mais tradicional mesmo ainda é o branco ou o marfim. Por incrível que pareça, a procura pelo branco tem sido muito grande - até mais do que o marfim, observa Granai.
De acordo com o período do dia em que a cerimônia de casamento é realizada, os modelos podem variar. Os modelos sem calda e sem bordados são mais indicados para manhãs e tardes. As noivas podem sentir-se mais à vontade para abusar do brilho nas celebrações noturnas.
Já o véu vem sendo substituído pela mantilha - um véu com acabamento bordado - de acordo com Granai. As mantilhas estão sendo mais usadas do que só o véu liso. A tendência tem sido para o véu um pouco mais longo do que os curtinhos e armados ou uma mantilha curta e não armada, esclarece.
No que diz respeito às luvas, o estilista deixa claro que não há regras determinadas. Elas são mais utilizadas em vestidos que não têm manga. Mas isso não quer dizer necessariamente que tenha que usar luva. Algumas pessoas não gostam. A moda está mais eclética - não é mais ditatorial como era antigamente, enfatiza.
No entanto, todos esses detalhes dependem do bom-senso do estilista e da noiva. De acordo com o tipo e comemoração do casamento, alguns acessórios podem ser descartados na composição da roupa. Não é muito indicado um vestido superbordado, superpomposo, para uma festa muito simples, por exemplo. O bom-senso tem que imperar sempre, sugere o estilista.
Madrinhas
Para as madrinhas, as recomendações na escolha da roupa não diferem muito daquelas feitas às noivas, de acordo com Granai. É praticamente a mesma regra: pouco bordado até as 6 horas. De manhã e à tarde, tons pastéis e comprimentos menores. Para a noite, vestidos longos. Tudo também depende do estilo da festa. Os chapéus são acessórios mais utilizados para casamentos nos períodos da manhã e da tarde. Depois das 6 horas, não deve-se usar chapéu, recomenda Granai.
O estilista salienta que o bom-senso sempre deve falar mais alto na escolha do modelo para festas de casamento, principalmente no caso das madrinhas. As madrinhas têm sempre que ter o bom-senso de não querer superar a noiva - não confundir um casamento com um baile de formatura. Os vestidos não devem ser muito rodados. Esse dia é da noiva e a madrinha tem que compreender, orienta.
Cor desafia a hegemonia do branco
Profissionais apostam na diferença de estilos para compor vestidos de noiva exclusivos
Depois do casamento da rainha Vitória, no século XIX, os vestidos de noiva nunca mais foram os mesmos. Feito com cetim branco e aplicações de renda, seu vestido transformou em regra o que era apenas uma sugestão da burguesia: casar-se completamente de branco para provar a virgindade. Inspirada nas atitudes revolucionárias da rainha Vitória, a estilista Cida Salomão também resolveu inovar. Usou cores de 12 tipos diferentes de flores para criar seus vestidos, um para cada mês do ano. Entre os mais bonitos, o verde com cetim branco amassado, representando uma orquídea. O verde seria o miolinho da orquídea e o cetim amassado são suas pétalas crespas. A cor transmite alegria e dá tempero a uma festa de casamento. As mais discretas, por exemplo, poderiam apostar nos tons pastel, diz Cida.
Dono de um estilo que se opõe ao barroco excessivo, o estilista Carlos Tufvesson também produz peças exclusivas, moldadas no corpo da própria cliente, utilizando tecidos nobres como o crepe italiano. Gosto de usar numa mesma peça um tecido só, mas com gramaturas e pesos diferentes. E, sempre que o estilo e os desejos da noiva permitem, crio efeitos de volume, como os volants, que são tecidos em cascata, e os drapeados, afirma Tufvesson.