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Criança carente e idoso são maiores vítimas

Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Nas fases da infância e velhice, as pessoas são bastante suscetíveis a acidentes dentro de casa, os quais, em sua grande maioria, podem ser facilmente evitados. Afinal, o anjo da guarda tem lá seus limites

A fragilidade inerente às crianças e aos idosos os coloca entre as vítimas mais comuns dos acidentes que acontecem dentro de casa. Os primeiros, porque pouco sabem dos perigos da vida e são insaciáveis quando o assunto é novidade; os segundos, porque sustentam um corpo cansado pelas dificuldades enfrentadas e acreditam dominar tudo. Mesmo assim, os pequenos são os que mais preocupam pela freqüência e diferenciação dos incidentes.

Embora não existam estatísticas oficiais, sabe-se que o fator condição econômica influencia na incidência de ocorrências. Famílias mais abastadas, que possuem babás para cuidar dos filhos, são menos suscetíveis aos acidentes domésticos. Também são mais conscientes e detêm mais informações sobre como prevenir incidentes. Já as famílias de baixa renda apresentam maior vulnerabilidade em se tratando de tragédias domésticas. Não é raro encontrarmos situações de crianças de seis ou sete anos cuidando dos irmãos menores, sem falar dos pais que trabalham fora e não têm com quem deixar os pequenos, que acabam ficando em casa à própria sorte.

Em Bauru, um acidente bastante comum durante o calor também tem a ver com a carência econômica ou, no mínimo, com a falta de capricho. A síndrome do tanque, como já foi batizada, vitima pelo menos três crianças todos os anos na cidade. O acidente atinge pequenos na faixa dos quatro anos, idade em que já conseguem galgar a borda angulada do tanque. Ao subir, fazem do peso uma alavanca. Resultado: a criança cai de costa no chão e o pesado tanque atinge seu abdômem, causando lesões graves como ruptura de órgãos maciços. Geralmente, o baço e fígado são atingidos, quando o quadro não evolui para a morte, o que já aconteceu aqui. A Secretaria de Saúde poderia incluir nas visitações de seus agentes a fiscalização dos tanques. Seria um caminho para acabarmos com acidentes tão estúpidos como esse, sugeriu Luiz Carlos Monteiro, cirurgião pediátrico bastante envolvido com o tema.

Cada fase da infância é marcada por tipos de acidentes mais prováveis, pois levam em conta a capacidade e a própria fase de desenvolvimento da criança. Já os acidentes envolvendo idosos concentram-se nas quedas, na esmagadora maioria das ocorrências. Vítimas de doenças como osteoporose, fraturas mal-curadas, varizes e outros problemas que dificultam a locomoção, as pessoas com mais de 65 anos têm que se preocupar com escadas, pisos escorregadios e tapetes sobre pisos lisos. O mercado já está preparado para atender esses últimos casos e oferece fitas antiderrapantes, tapetes com solado emborrachado e outros apetrechos apropriados para evitar acidentes.

Ajudando o anjo da guarda

Verifique a experiência de sua babá e não deixe o bebê sob o cuidado de criançasTampe as tomadas elétricas com protetores próprios (estão à venda no mercado) ou improvise outro tipo de proteçãoProteja as quinas dos móveis que ficam no caminho da criança. É um capricho que não custa nada, mas que pode evitar sérios traumasTampe a piscina quando ninguém estiver usando. Quando for desfrutá-la, não deixe, nem sequer por um minuto, a criança sozinha. Até mesmo na banheira o cuidado deve ser redobradoTome cuidado extra quando alguém de casa estiver sob tratamento à base de remédiosNunca diga para a criança que remédio é um docinho. Desde cedo, ela deve saber do que realmente se trataEvite tomar medicamentos na frente de crianças. Elas podem querer imitarMantenha remédios e produtos de limpeza e congêneres no altoNunca deixe bebidas alcoólicas ao alcance dos pequenosLeia sempre os rótulos dos produtos utilizados em casa para, em caso de acidentes, saber qual o tratamento mais adequadoEnsine seu filho a não aceitar nada que lhe oferecerem de comestível na ruaPromova periodicamente uma faxina em casa para jogar fora remédios e embalagens vaziasTampe as tomadas na fase em que o bebê estiver engatinhandoUtilize fitas antiderrapantes sob tapetesNão deixe pequenos objetos e brinquedos com peças pequenas ao alcance de crianças menores de 3 anosColoque grade nas janelas, principalmente se seu filho tiver entre 4 e 6 anos de idade Nunca deixe panelas com os cabos para fora do fogão e nem objetos que possam desencadear um incêndio

Acidentes mais comuns por faixa etária

De 0 a 6 meses: nessa idade, os acidentes são causados pela figura do tratador, que pode ser uma babá inexperiente ou uma criança mais velha. Os tombos do colo e as queimaduras na hora do banho são os casos mais comuns

De 6 a 12 meses: o bebê já engatinha e tende a ficar de pé no berço, um espaço que não mais o satisfaz. As quedas do berço são comuns, daí a necessidade de grades protetoras altas ou a colocação da criança em outro local. Os choques em tomadas também são freqüentes, principalmente por conta da introdução de objetos

De 12 meses a 2 anos: a criança já anda e tende a cair constantemente, razão pela qual se torna vulnerável aos cortes e traumas. As quinas da mesinha de centro da sala são as grandes vilãs nessa fase

De 2 a 3 anos: nessa fase, a criança vive o auge do seu destemor, pois se sente tão protegida que pensa ser a dona do mundo. Os casos de afogamento no primeiro contato da criança com a água são bastante comuns. As janelas dos prédios também são um grande atrativo, exercendo um fascínio sobre os pequenos que vislumbram o mundo através delas. O risco de se sentirem super-heróis e pularem é grande

De 4 a 5 anos: os acidentes acontecem por conta de brincadeiras em ferros-velhos, construções e entulhos. Acidentes automobilísticos por falta do cinto de segurança e intoxicação têm grande incidência

De 6 a 12 anos: acidentes de trânsito, com bicicletas, armas de fogo e sufocamento (plástico na cabeça) são os registros mais comuns

Acima de 12 anos: acidentes de trânsito, de bicicleta, na prática de esportes e afogamentos (no alto verão)

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