A auto-estima positiva funciona como se, na realidade, fosse o sistema imunológico da consciência. Fornece resistência, força e capacidade de regeneração.
Auto-estima é a vivência de sermos apropriados à vida, de sentirmos a vida, estando de bem com ela. De acordo com a psicóloga Mariana Maniscalco, especificamente, auto-estima é:
1. A confiança em nossa capacidade para pensar e enfrentar os desafios da vida. 2. A confiança em nosso direito de ser feliz, a sensação de sermos merecedores, dignos, qualificados ao expressar nossas necessidades e desejos e desfrutar os resultados de nossos esforços.
A auto-estima tem dois aspectos inter-relacionados:
1. A noção da eficiência pessoal (auto-eficiência). 2. A noção do valor pessoal (auto-respeito).
Na qualidade de uma vivência psicológica plenamente realizada, a auto-estima é a soma integrada desses aspectos.
Auto-eficiência significa confiança no funcionamento de nossa mente, em nossa capacidade de pensar, nos processos por meio dos quais refletimos, escolhemos e decidimos. É a confiança em nossa capacidade de entender os fatos da realidade que estão dentro da nossa esfera de interesses e necessidades. É uma autoconfiança cognitiva, disse.
Mariana explicou, também, que o auto-respeito significa ter certeza de nossos valores; uma atitude afirmativa diante de nosso direito de viver e ser feliz; a sensação de conforto ao reafirmar de maneira apropriada os nossos pensamentos, as nossas vontades, as nossas necessidades; o sentimento de que a alegria é nosso direito natural por termos sido criados e existirmos no mundo.
Se um indivíduo se sente inadequado para enfrentar os desafios da vida, se não tem uma autoconfiança básica, confiança em suas próprias idéias, reconheceremos nele uma auto-estima deficiente, sejam quais forem suas outras qualidades. Ou, então, se falta ao indivíduo um senso básico de respeito por si mesmo, se ele se desvaloriza e não se sente merecedor de amor e respeito da parte dos outros, se acha que não tem direito à felicidade, se tem medo de expor suas idéias, vontades e necessidades, novamente reconheceremos uma auto-estima deficiente, não importa que outros atributos positivos ele venha a exibir. Auto-eficiência e auto-respeito são os dois pilares da auto-estima saudável; se um deles estiver ausente, a auto-estima está comprometida. Ambos são características definidoras do termo por serem fundamentais. Não representam significados derivados ou secundários da auto-estima, mas sua essência, explicou.
Ser egoísta
Mariana disse que, muitas vezes, a auto-estima é confundida com egoísmo. As pessoas dizem que alguém se amar, querer o melhor para si, ser auto-suficiente é uma atitude de egoísmo. Analisemos, no entanto, o que é egoísmo. Egoísmo significa literalmente culto ao ego. Ora, ter uma atitude de auto-amor, de auto respeito, querer aquilo que é bom para si mesmo, jamais será uma atitude de egoísmo, pois este sentimento, pressupõe uma falsa auto-estima, porque a pessoa que assim age tem uma atitude de querer o melhor, e quase sempre no sentido material, somente para si, em detrimento dos outros. A atitude dela é egoísta e egocêntrica, afirmou.
De acordo com Mariana, quem possui uma auto-estima elevada, tem como conseqüência uma alo-estima (amor, estima aos outros) também elevada. Ela quer o melhor para si, mas não em detrimento dos outros, mas que os outros também tenham o melhor.
Outras vezes a auto-estima é confundida com o amor-próprio, que em português é sinônimo de orgulho, vaidade, presunção, sentimentos que produzem uma sensação desconfortável. Auto-estima é a mesma coisa que auto-amor, estima, amor por si mesmo. A prática da auto-estima produz um sentimento de satisfação, de completitude, de prazer interior.
Do que precisamos?
A auto-estima é uma poderosa necessidade humana, que contribui de maneira essencial para o processo da vida, sendo indispensável para um desenvolvimento normal e saudável. Tem valor de sobrevivência.
Na ausência de uma auto-estima positiva, nosso crescimento psicológico fica interditado. A auto-estima positiva funciona como se, na realidade, fosse o sistema imunológico da consciência. Fornece resistência, força e capacidade de regeneração. Quando é baixa a auto-estima, nossa resistência diante da vida e suas adversidades diminui. Ficamos aos pedaços diante de vicissitudes que uma percepção mais forte de si mesmo poderia superar. Nesse caso, tendemos a ser mais influenciados pelo desejo de evitar a dor do que de vivenciar o prazer. Fatores negativos têm sobre nós mais poder do que os positivos.
A auto-estima fortalece, dá energia e motivação. Ela nos inspira a obter resultados e nos permite a sentir prazer e satisfação diante de nossas realizações.
A auto-estima proclama-se como uma necessidade porque sua (relativa) ausência compromete nossa capacidade de funcionar. É por esse motivo que dizemos que ela tem valor de sobrevivência. E hoje mais do que nunca. Atingimos um ponto na história em que a auto-estima, que sempre se mostrou como uma necessidade psicológica de suma importância, também se tornou uma necessidade econômica da maior relevância, atributo imperativo para a adaptação a um mundo cada vez mais complexo, desafiador e competitivo.
Uma auto-estima elevada busca o estímulo de metas desafiadoras. Atingir objetivos exigentes alimenta uma boa auto-estima. A baixa auto-estima busca segurança do que é conhecido e não exigente. Ao se confinar no que conhece e não a exige, a pessoa debilita sua auto-estima.
Quanto maior a nossa auto-estima, mais desejosos de crescimento tendemos a ser, não necessariamente no sentido profissional ou financeiro, mas dentro daquilo que esperamos viver durante nossa existência nos âmbitos, emocional, criativo e espiritual. Quanto mais baixa nossa auto-estima, menos aspiramos fazer e é provável que menos realizemos. Ambos os caminhos tendem a ser auto-reforçadores e autoperpetuadores.
Assim como um sistema imunológico saudável não é garantia de que a pessoa nunca ficará doente, mas torna-a menos vulnerável a doenças e mais bem preparada para combatê-las, a auto-estima saudável também não é garantia de que a pessoa nunca sentirá ansiedade e depressão diante das dificuldades da vida, mas torna-a menos suscetível e mais bem equipada para suportá-las, dar a volta por cima e superá-las. As pessoas com auto-estima elevada certamente podem ser derrubadas por um excesso de problemas, mas são rápidas em recuperar-se.
Com uma auto-estima elevada, é mais provável que consigamos persistir diante das dificuldades. Com uma auto-estima baixa é mais provável que desistamos ou façamos o que tem que ser feito, sem dar de fato o melhor de nós. As pesquisas mostram que os indivíduos com auto-estima alta persistem nas tarefas um tempo significativamente maior do que os indivíduos com baixa auto-estima. Se perseverarmos, a probabilidade de obter mais sucessos do que fracassos é maior. Se não perseverarmos, a probabilidade de fracassar é muito maior do que sermos bem sucedidos.
Se nós nos respeitamos, automaticamente estaremos exigindo o respeito dos outros, pois emitimos sinais e nos comportamos de um modo que aumenta a probabilidade que os outros ajam conosco adequadamente.
Se nos desrespeitamos estaremos nos acomodando frente a falta de cortesia, desrespeito, abuso e a exploração dos outros, agindo como se isso fosse natural, inconscientemente é o que estaremos transmitindo, e algumas pessoas irão nos tratar segundo a avaliação que fazemos de nós mesmos. Quando isso acontece, acabamos por nos submeter e o nosso auto-respeito deteriora ainda mais.
O valor da auto-estima não está apenas no fato de ela permitir que nos sintamos melhor, mas pode permitir que vivamos melhor, respondendo aos desafios e às oportunidades de maneira mais rica e mais apropriada.
Quanto mais sólida for a nossa auto-estima, mais bem preparados estaremos para lidar com os problemas que surgem em nossa vida pessoal e profissional; mais rápido conseguiremos nos erguer depois de uma queda; mais energia teremos para recomeçar.