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Genéricos para humanos ou animais?

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Quem ouve ou vê os meios de comunicação não nos contestará se dissermos, com visos de veracidade, que há muitas colocações contra a carência ou insuficiência de remédios genéricos, no mercado, destinados especificamente a seres humanos - homens e mulheres, de todas as idades e cores - acometidos de uma multiplicidade de enfermidades. E não pode haver contestações porque quem tem batido com a clássica barriga nas vitrinas, balcões e prateleiras das drogarias e farmácias do País não tem tido a ventura de detectar a contrapartida, porquanto só encontra ali um mínimo de medicamentos, já produzidos por nossa indústria farmacêutica, na moderna categoria de genéricos. Trata-se mesmo de um mínimo, que talvez não alcance quantidade superior a 100, salve melhor juízo, é evidente. Conseqüentemente, os enfermos brasileiros seguem forçados a comprar e consumir - com dor aguda no coração - milhares de tipos e marcas algo caríssimos, que os médicos são levados a lhes impor porque não possuem genéricos bastante para substituí-los corretamente e os estabelecimentos do gênero comercializam gostosamente os outros aos melhores preços.

Pois é, nossa pobre gente. Não devia o Governo Federal colocar suas poderosas mãos na indiferente consciência da indústria especializada e despertá-la plenamente para a responsabilidade social e econômica que ela teria de ter nessa intrincada questão, reduzindo a produção dos caros e aumentando a dos menos caros, no caso os genéricos? A sociedade entende que sim, eis que habita uma nação visceralmente pobre, onde a maioria da população quase não se inclui, certamente, na faixa dos que dispõem de recursos para enfrentar suas enfermidades mais graves. Então, traz um bocado de tristeza a notícia, veiculada na semana passada, com a qual o presidente da República assustou a população anunciando que vai incentivar a indústria na produção de genéricos para animais... É bonito isso? A maioria acha que não! Entende que ele erra completamente na diretriz, tentando obter remédios baratos para bovinos, eqüinos e muares, que, vendidos mortos, dão uma nota preta para os pecuaristas ou criadores, o que não acontece com os seres humanos, que, depois de mortos, não encontram (é lógico) quem dê alguns centavos por seus corpos inanimados. Coitadinhos...! Pelo amor de Deus, sr. presidente, como vão ficar nessa os patrícios enfermos, pobres, de ambos os sexos e todas as idades? Entenda que, na pior das hipóteses, os humanos teriam de ter mais direitos quanto a uma morte bem-assistida, tomando xaropes baratos, consoante as suas possibilidades financeiras. Ou, neste País de discrepâncias, não é permitido fazer-se distinção entre humanos e desumanos? Entendemos que a política certa seria incrementar totalmente a produção de genéricos para humanos até que suas necessidades estejam satisfeitas. É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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