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Medo de apagão duplica venda de velas e lampiões em Bauru

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A ameaça de racionamento e os apagões estão movimentando o mercado de velas, lâmpadas e lampiões em Bauru. O aumento nas vendas revela que a população está preocupada com a falta de energia.

O velho lampião que estava encostado nas lojas de variedades e que só eram adquiridos por pescadores é hoje uma mercadoria procurada por grande parte da população para se safar da escuridão. A venda de lampiões, segundo a gerente de uma loja de variedades, Ângela Tobias, aumentou em quase 50%. Antes dos boatos de apagão eu vendia, em média, seis lampiões por mês. Hoje, vendo de dez a 12.

Segundo ela, o público alvo mudou. Antes, só os pescadores procuravam pelos lampiões. Hoje, até dona de casa está comprando. Temos duas lojas e em uma delas o estoque, que não era grande, já terminou.

O lampião, de acordo com a gerente, é oferecido em dois tipos. Temos um que é à base de querosene e outro, à gás. Ambos oferecem iluminação limitada, mas evitam o uso de energia elétrica.

Fábio Tavares, vendedor de outra loja de variedades, confirma o aumento da procura.Muita gente tem procurado os lampiões. O público não é o mesmo. Antes, só os pescadores e moradores da área rural usavam. Hoje, a população já pensa em usar o equipamento.

Lâmpadas econômicas

A venda de lâmpada florescente compacta eletrônica, conhecidas como lâmpadas econômicas, cresceu 100% desde o início dos boatos de apagão e da notícia de racionamento de energia, afirma o comerciante Dorival Juliano.

Segundo ele, a população está preocupada com o racionamento e procurando se adaptar à nova realidade. A procura aumentou em 100%. Todos querem baixar o consumo para não ter que amargar o racionamento.

Juliano esclarece que as lâmpadas econômicas, embora custem mais, são até oito vezes mais duradouras do que a incandescente. Uma lâmpada fluorescente compacta eletrônica de 15 Wats oferece uma iluminação correspondente a uma lâmpada de 60 Wats incandescente. A economia, segundo ele, é de 45 Wats/por hora.

A economia, a grosso modo, seria de algo em torno de 50% no final da vida útil da lâmpada.Não são necessárias alterações nas ligações elétricas da casa. A lâmpada econômica encaixa no mesmo bocal da incandescente.

Investimentos

Os boatos de apagão e a idéia de racionamento têm incomodado a população, afirma o fabricante de velas Antonio Carlos Francisco. Otimista com os boatos, ele resolveu investir e já adquiriu uma nova máquina capaz de fabricar uma vela mais duradoura. Eu estou investindo cerca de R$ 10 mil na aquisição de uma máquina para atender a nova demanda.

O fabricante diz que das 15 toneladas de velas que fabrica mensalmente, já passou para 22 toneladas. Estou aumentando a produção porque aumentaram os pedidos e isso, para mim, significa que aumentou a procura.

Ele acha que a procura deve aumentar muito em função dos boatos. Hoje, não atingimos o público evangélico, eles não usam velas em seus rituais religiosos. Porém, com a ameaça do apagão e do racionamento, eles também terão que usar as velas, se não quiserem ficar no escuro.

Francisco lembra que se houver racionamento, também será atingido e prejudicado.As máquinas são elétricas e se faltar energia, elas vão parar de funcionar e a produção poderá ficar comprometida.

Para aproveitar a maré, o fabricante resolveu contratar mais um funcionário. Tínhamos dez funcionários e contratei mais um. Os 11 estão fazendo uma hora e meia extra para atender a demanda. Se a procura continuar assim, vou ter que contratar mais gente.

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