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Boicote aos cartões deve ter 90% de adesão, diz sindicato

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Cerca de 90% do total de 92 postos de combustíveis de Bauru, que estão em atividades no momento, devem aderir ao boicote contra as administradoras de cartões de crédito. A informação é do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), Sebastião Homero Gomes. Durante reunião realizada ontem, que contou com a presença da maioria dos donos de postos da cidade, ficou definido que, a partir de hoje, ao abastecer o veículo os consumidores serão avisados da data em que cada posto irá suspender o pagamento através de cartão. Alguns já não estão mais aceitando.

De acordo com Gomes, a adesão quase total dos empresários do setor ao boicote se deve às altas taxas cobradas pelas administradoras de cartões, que variam entre 3% e 5% (as mais altas do mundo, segundo ele), a demora de 30 dias para o posto ter o retorno do pagamento feito dessa forma e, principalmente, pelo fato de que as companhias estariam ficando com cerca de 70% do lucro dos postos.

Infelizmente, ficou impossível para os donos de postos continuar trabalhando com cartão de crédito porque as administradoras estão ficando com cerca de 70% do nosso lucro. Além disso, as taxas de 3% a 5% cobradas por elas, a demora de 30 dias para o reembolso aos postos, mais o aluguel mensal de R$ 60,00 por cada máquina eletrônica de conferência, dificultaram demais a situação financeira dos postos, diz Gomes, que é proprietário de dois postos em Bauru.

De acordo com o presidente do Sincopetro, cerca de 20%, em média, das vendas de combustível são pagas com cartão de crédito, atualmente. Para não prejudicar os consumidores que costumam optar por essa forma de pagamento, estão sendo estudadas, pelos empresários do setor, algumas alternativas de compensá-los por não poderem utilizar o cartão na hora de pagar. Uma delas pode ser a concessão de prazo no cheque mantendo o preço à vista, ou preencher uma nota com data de pagamento válida para o dia do vencimento do cartão do cliente.

Não queremos prejudicar os consumidores, mas, continuar trabalhando com cartão de crédito se tornou inviável para nós. As administradoras chegaram a oferecer uma diminuição de 0,5% na cobrança das taxas. Só que isso não aidanta nada pelo fato de já serem muito altas. O ideal seria ficar em 1%, como no Chile, onde a taxa é a mais alta depois do Brasil, e fazer a devolução do dinheiro para os postos em sete dias, e não em 30, como acontece no nosso País, observa Gomes.

De acordo com ele, entre os postos que irão aderir ao boicote, a maioria deixará de aceitar cartão de crédito até o próximo dia 20, no máximo. Alguns estabelecimentos já não estão mais trabalhando com pagamento via cartão. Na opinião de Gomes, poucos deixarão para aderir após o dia 20 de maio. Nos meus dois postos, por exemplo, os clientes serão avisados, a partir de hoje, que não será aceito pagamento com cartão a partir do dia 20. Em alguns estabelecimentos, o boicote já começou. Acredito que poucos deixarão para aderir após o dia 20, afirma.

Boicote fará circular mais cinco milhões de cheques, diz entidade

A Associação Brasileira das Empresas de Informação, Garantia e Verificação de Cheques (Abracheque) acredita que o boicote dos postos às vendas com cartão de crédito fará com que haja um grande aumento na emissão de cheques de papel no mercado, por parte dos consumidores de combustíveis. Segundo o presidente da entidade, João Montenegro, cerca de R$ 370 milhões devem migrar para os cheques, durante sete dias, se a greve se estender a todo o Brasil.

Serão cerca de cinco milhões de cheques, se calcularmos um valor médio de R$ 75,00 para cada um, afirma Montenegro, baseando-se em dados divulgados pela Federação Nacional e Comercial Varejista de Combustíveis (Fecombustíveis). O presidente da Abracheque diz não ter se surpreendido com a atitude dos postos de gasolina, já que as desvantagens que o empresário tem com o cartão de crédito seriam grandes, na opinião dele. As taxas cobradas pelas administradoras de cartões estão entre 3% e 5% e a demora do reembolso é de 30 dias, em média. Além disso, os donos de postos não podem repassar o prejuízo para o consumidor final, pois o Procon não permite alterações no preço do produto em função do meio de pagamento utilizado, acrescenta Montenegro.

A Abracheque reúne as onze maiores empresas do setor de garantia, informação e verificação de cheques e tem como objetivo valorizar o cheque de papel como forma de pagamento. Para Montenegro, o cheque é um meio eficaz e barato de pagamento, tanto para quem emite quanto para quem recebe, oferece segurança e flexibilidade de prazo.

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