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Karnak: música afronipocelticabrasileira

Redação
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Divulgando seu terceiro álbum, Estamos Adorando Tókio, a banda paulistana leva ao palco do Sesc, amanhã, sua mistura de influências, que vão do rock às músicas árabe e caribenha

A big band Karnak faz show amanhã, a partir das 21 horas, no Sesc. A apresentação divulga o terceiro CD do grupo liderado por André Abujamra, Estamos Adorando Tókio.

Mesmo negando o rótulo world music, o Karnak desfila influências que vêm de diversas partes do mundo, mas com intenção pop. No trabalho do grupo, podem ser reconhecidas as músicas norte-americana e brasileira, do Caribe, África e Oriente Médio.

Mas onde o Karnak foi encontrar tamanha diversidade? O diretor criativo da banda, Abujamra explica: Minha influência é a cidade onde nós vivemos, São Paulo. É a cidade mais misturada no Brasil. Há influência japonesa, portuguesa, do italiano e do árabe. Então, nós usamos a música axé, do nordeste, o samba, do Rio de Janeiro, e eu me acostumei a escutar o Kiss, Queen, Madonna, Frank Zappa e brasileiros como Caetano Veloso e Hermeto Pascoal. Assim, no Karnak, nós não estamos misturando. Já está misturado em nossas cabeças.

A verdade é que a música do Karnak é uma fusão intuitiva de todos os sons que os integrantes já ouviram e encontraram em suas viagens pelo mundo e no ambiente extremamente diversificado que é a cidade de São Paulo, um instinto natural, como define Abujamra.

Registros

O primeiro álbum do grupo, Karnak, lançado no Brasil em 1995 e nos EUA no ano seguinte, pelo Tinder Records, foi escolhido como uma das 15 gravações mais importantes da música popular brasileira dos últimos 30 anos por um grupo de jornalistas.

O segundo, Universo Umbigo, apareceu em 1997, pelo selo Velas. No mesmo ano, Original foi lançado na Europa, com 17 faixas dos dois primeiros CDs mais alguns remixes.

As músicas de Karnak e Universo Umbigo abordam temas tanto leves (o amor, comendo uva na chuva) como sérios (porque tanta violência?), combinando ampla seleção de estilos (reggae, rock, samba, funk, frevo, pop africano, suíngue e música country) com samples de outras músicas e de gente falando outras línguas.

Estamos Adorando Tókio, foi lançado no ano passado, pela NetRecords, produzido por André Abujamra, Sérgio Bartolo e Evaldo Luna, no estúdio Cornetaz/A Voz do Brasil.

Nas músicas do trabalho, Abujamra e Karnak se mostram mais seguros do que nunca com as próprias vozes criativas. O CD mostra mais do som que a banda tem ao vivo, e os samples estão menos em evidência.

A abertura é a já tradicional música russa e ligeirinha, com a métrica mista e letras quase-russas.

A faixa-título é uma energética salsa, com letras em inglês e espanhol, feita de referências às viagens internacionais da banda. Depois da Chuva, que segue o êxito anterior de Comendo Uva na Chuva, alterna reggae e rock shuffle, com solo de guitarra e metais efusivos. Momuntuera usa o acordeon, flauta e as guitarras entrelaçadas da música da África do Sul, que criam um som meio céltico no final. Show para viajar.

Serviço

Karnak faz show amanhã, 21h, no Sesc Bauru. Ingressos: R$10,00 e R$5,00 (matriculados, estudantes e maiores de 65 anos). Av. Aureliano Cardia, 6-71. Informações: 235-1750.

De onde vem o Karnak?

A banda Karnak surgiu das cinzas de um duo que Abujamra participava, ao lado do compositor Maurício Pereira, Os Mulheres Negras. O duo foi desfeito ao mesmo tempo em que Abujamra divorciou-se de sua primeira esposa.

De repente, sem raízes, Abujamra foi para a Espanha com um grupo de teatro, então, viajando pelo mundo, gravou sons e músicas até descobrir que já possuía uma idéia do que fazer no templo de Karnak, no Egito.

De volta a São Paulo, trabalhou com jingles e iniciou a banda atual. As maiores influências foram duas, segundo Abujamra, Spike Jones (a quem descreve como o Karnak dos anos 50), e Les Luthiers, um grupo Argentino que usa instrumentos artesanais.

Muitas de nossas influências não vêm da música. Há uma mulher velha que vive em uma vila muito pequena perto de Olinda. Não tem nenhum dente, sorri e diz olá! Aquela é nossa influência, afirma Abujamra.

Além disso, a banda começou a explorar alguns de seus sons favoritos, como explosões, suportes vocais e música orquestral.

Antes de sua primeira apresentação, os membros do Karnak pesquisaram por um ano, estudando não só música mas também mitologia. Em suas mentes, Karnak estava fazendo música popular e venderia milhões de álbuns.

Quando seu primeiro disco vendeu apenas 10.000 cópias no Brasil, o Abujamra percebeu que a música não era popular de maneira alguma, ela era Música Karnakiana.

Assim, disse à sua banda: Eu serei muito pobre. Quem ainda quer fazer parte do Karnak comigo?

Sete músicos saíram, outros sete permaneceram. Eu perdi muitas coisas nos oito anos de Karnak, afirma Abujamra. Eu perdi dois casamentos, uma tia e alguns amigos muito bons que morreram, ironiza.

Talvez o maior erro que os ouvintes ocasionais têm sobre o Karnak é que seja uma banda engraçada, devido às vozes sobrepostas, a auto-gozação e o ecletismo atordoante. Nós somos pessoas tristes. Nós não somos engraçados. Nós não pensamos em coisas engraçadas. Nós cantamos coisas muito dolorosas, corrige Abujamra.

Hoje, o Karnak é André Abujamra (voz e guitarra), Marcos Bowie (voz e trompete), Hugo Hori (voz, sax e flauta), Eduardo Cabello (guitarra) e Kuki Stolarski (bateria).

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