Pesco porque amo pescar.
Porque amo os locais onde os peixes são encontrados, que são invariavelmente belos, e odeio os locais invariavelmente feios onde se encontram multidões.
Pesco porque, assim, fujo dos comerciais de TV, de reuniões sociais e das falsas atitudes que a comunidade nos impõe.
Porque, em um mundo onde a maioria dos homens parece passar a vida fazendo coisas que detestam, minha pesca é uma fonte inesgotável de prazer e um pequeno ato de rebeldia. Porque os peixes não mentem ou enganam, nem podem ser comprados, subordinados ou impressionados pela força do poder, respondendo sempre à quietude, à humildade e a uma infinita paciência.
Pesco porque suspeito que os homens percorrem este caminho somente uma vez e não quero desperdiçar minha Viagem.
Porque não existe telefones nos rios em que pescamos. Porque somente a natureza pode me dar solidão sem abandono.
Porque a cerveja que se bebe em uma velha caneca à beira de um rio é sempre mais saborosa. Porque talvez um dia, eu capture uma sereia. E, finalmente, não porque eu considere pescar algo tão terrivelmente importante, mas porque suspeito que tantas outras preocupações dos homens sejam igualmente sem importância... e nem de longe tão divertidas.
Fernando Lucilha Júnior é pescador e poeta.