A Odontogeriatria vem ganhando espaço no Brasil, de acordo com especialistas que participaram da JOB, na USP
A Odontogeriatria, especialidade que consiste no cuidado dentário às pessoas idosas, deve abrir um novo campo de trabalho aos dentistas, de acordo com Ruy Fonseca Brunetti, estudioso do assunto e um dos pioneiros no Brasil. O profissional esteve em Bauru ministrando um curso sobre o tema na XIV Jornada Odontológica, realizada por alunos do 4.º ano de Odontologia da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB/USP).
O profissional Brunetti acredita que a Odontogeriatria é uma especialidade que, em breve, deverá representar um grande campo de trabalho aos jovens profissionais. A Organização Mundial de Saúde diz que, daqui a 20 anos, de cada três pessoas que irão ao consultório, duas serão idosas - pessoas com mais de 60 anos. Isso aumenta por demais o mercado de trabalho para as gerações atuais. Eu vejo, na Odontogeriatria, uma possibilidade de grande abertura de mercado, já que o homem viverá mais tempo. Os países mais cultos, mais desenvolvidos, são os que mais cuidam de seus idosos, afirma.
O estudioso da Odontogeriatria afirma que os principais problemas apresentados pelas pessoas da terceira idade nos consultórios de dentistas referem-se a gengivas. A pessoa idosa vai perdendo a destreza manual. Com isso, a habilidade necessária para utilizar fio dental e escova também vai se perdendo. Aí entra o dentista. Os principais problemas encontrados nos idosos são periodontais - doenças da gengivas, como inflamação, infecção e perda de dentes em função disso, esclarece.
A Odontogeriatria é uma especialidade ainda pouco estudada no País e não consta nas grades de currículos escolares das universidades brasileiras, de acordo com Brunetti. Na parte sul do País - São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul - já existem esboços e práticas de odontogeriatria. No resto do Brasil, isso não existe. Mas não existe isso como especialidade no currículo de aprendizado de Odontologia, enfatiza.
O profissional salientou, ainda, que a saúde bucal e a saúde do nosso organismo como um todo não devem ser dissociadas. Hoje em dia, você não pode separar a saúde bucal da saúde geral. Existe uma série de doenças, principalmente cardíacas e cerebrais, que estão profundamente envolvidas com doenças bucais - elas têm repercussão e retornam como males que nós chamamos de sistêmicos. Na terceira idade, isso acontece demais. O indivíduo precisa ter saúde bucal para ter saúde geral, na maioria das vezes, ressalta.
Um alerta que Brunetti deixou, em sua passagem por Bauru, refere-se à importância das consultas periódicas ao dentista, ainda que os dentes não apresentem problemas aparentes. A Odontologia superou o tempo da queixa levar ao dentista. A melhor Odontologia é a que, de tempos em tempos, se freqüente o dentista para saber como estão as coisas, fazer manutenção, perpetuação de coisas boas e evitar problemas maiores, observa.