Uma iniciativa com a marca da intenção de baratear o custo operacional das muitas e às vezes longas viagens do presidente e dos ministros de Estado está sendo ensaiada pelo Ministério da Aeronáutica. Provavelmente saturado de tanto desembolsar altas verbas para manter seus aviões abastecidos com combustível caro e, mecanicamente, sempre em plena forma para, a um pedido telefônico de autoridade, levantar vôo em Brasília rumo a outros países, bem como São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Manaus ou qualquer outro recôndito nacional onde haja algo para visitar ou ágape para comer, o Ministério decidiu tornar essas locomoções menos onerosas, dada a impossibilidade de evitá-las. Vai daí estar disposto a continuar programando a substituição dos aviões de fabricação inglesa, usados em muitas locomoções, utilizando mais os produzidos pela nossa Embraer.
Os ministros usuários dos dinheiros públicos para aquele fim estão sendo instruídos quanto à necessidade de reduzirem suas despesas nesse setor, requisitando, quando necessário, aviões menores e mais econômicos, sem possibilidade, então, de dar carona a comitivas numerosas e onerosas. Seria aconselhável também que a Presidência da República tomasse a iniciativa de adotar a idéia, ele, que como a Nação tem conhecimento, está figurando entre os presidentes que, até o momento, mais se deslocaram seja para as paragens estaduais, seja para as longas e caríssimas capitais de países estrangeiros, gastando dinheiro grosso, convertido em dólares caros, para pagamento de hospedagens hoteleiras de cinco ou mais estrelas, além do consumo dos combustíveis aplicados nas modernas aeronaves, bem como das diárias pagas aos numerosos componentes da respectiva tripulação, geralmente numerosa, porque seus gastos não são pequenos. Bem em cima da medida do ministro poderia o chefe da Nação lembrar aos seus assessores de decreto, existente há mais de quinze anos, determinando corte de cinco por cento em todas as despesas ministeriais e adotando outros caminhos disciplinadores dos dispêndios oficiais. É preciso lembrar porque, ao que se percebe, os regentes da administração direta e indireta nos domínios da União já se esqueceram disso e seguem tocando suas aplicações a todo vapor, emplacando não poucas obras e serviços adiáveis. É a nossa opinião.
(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.