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PMDB diverge sobre vitória de Quércia

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

A vitória do ex-governador Orestes Quércia como presidente estadual do partido provoca um misto de apreensão e otimismo

A vitória do ex-governador Orestes Quércia sobre o deputado federal Milton Monti, para a presidência estadual do PMDB, anteontem, gerou análises distintas dentro do partido. Para um grupo que apoia a candidatura de Michel Temer para o Governo do Estado de São Paulo, a eleição interna mostrou que Quércia não tem mais domínio sobre o partido. Para a ala quercista, ele renasce dentro da legenda e sepulta a impressão de que não está vivo politicamente.

Para o ex-prefeito Tidei de Lima, que apoiou o grupo de Michel Temer na eleição para o comando estadual do PMDB, a vitória de Quércia trouxe um resultado que mostra o equilíbrio dentro do partido. O partido tinha um grupo hegemônico com o Quércia, até pouco tempo. Hoje não há mais absolutismo dentro do PMDB. Em que pese não ter seu grupo eleito, através do Monti, o Temer teve um resultado bastante expressivo.

Tidei comentou que o equilíbrio de forças dentro do PMDB está no resultado da eleição e na composição dos delegados e do Diretório Estadual. Há um equilíbrio que não se via há muito tempo. O Temer tem quase o mesmo número de indicações que o Quércia, que fica com um pouco mais de representantes por pequena margem, disse.

O ex-prefeito concordou, porém, que a proximidade do grupo de Michel Temer com o governo FHC gerou dificuldades na eleição. Isso porque boa parte da base do partido quer, há bastante tempo, a desvinculação do PMDB do Governo Federal. Em função de fazer parte da base de apoio ao governo FHC, o PMDB, inclusive, sentirá essas conseqüências na eleição do próximo ano, mesmo que, neste instante, decida ficar um pouco mais longe perante a opinião pública. Dar apoio ao FHC realmente criou dificuldades para o grupo do Temer. A maioria da base não quer. Eu quero dizer que essa posição de proximidade com o Governo Federal não faz o meu gosto. Ele poderia ter razão por estar próximo em um momento, mas agora não, avaliou Tidei.

Por outro lado, o ex-prefeito lembrou que o vencedor na eleição interna, Orestes Quércia, também tem problemas de ordem política. Ele andou apoiando o Romeu Tuma, que é do PFL, na eleição municipal de São Paulo e isso também trouxe um desgaste muito grande para ele, falou Tidei. Assim, para ele a candidatura ao governo do Estado no PMDB continua sem definição. O equilíbrio de forças no comando criou essa reticência e só o tempo poderá definir quem será o candidato em São Paulo, argumentou.

Já para a ex-presidente do PMDB em Bauru, Darci Gasparini, a eleição mostra que o ex-governador Quércia está mais vivo do que nunca e bem vivo. Aliás, para mim, ele está bem vivo faz tempo. A eleição mostra que em São Paulo o PMDB conseguiu manter posição contrária ao Governo Federal. A eleição do Quércia mostra que a base do partido não quer o comando atrelado ao Governo Federal.

Darci Gasparini argumentou que Monti é um bom político, um grande deputado, honrado, mas estava do lado errado, do lado do grupo que é vinculado ao Governo Federal. Então, eu acho que qualquer candidato que estivesse nesse grupo perderia para o Quércia. Em sua avaliação, haverá convenção no partido para a escolha do candidato do PMDB ao Governo do Estado. Para ela, entretanto, o partido não saiu dividido da eleição para o comando estadual.

Momento exige reflexão

O deputado federal Milton Monti, que disputou e perdeu a presidência do diretório estadual do PMDB, para o ex-governador Orestes Quércia, disse ontem que o momento pede uma séria reflexão dentro do partido. Ele disse lamentar o resultado da conveção e evitou fazer comentários mais profundos sobre a questão. Mesmo porque, segundo ele, é só a partir de hoje que seu grupo de apoio deve começar a discutir o que vai ser feito de agora em diante.

De qualquer forma, Monti ponderou que será difícil para o grupo todo enfrentar uma eleição com Quércia sendo o candidado - no caso de eleição para governador. Por isso, o tema deve ganhar prioridade nas discussões que devem se iniciar a partir de hoje.

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