Geral

Os apagados

(*) B. Requena
| Tempo de leitura: 3 min

Nosso Congresso (salvo as raras e honrosas exceções) está pagando polpudo salário para que nossos representantes discutam problemas que eles mesmos criaram. Haveria coerência na minha proposta de que o tempo gasto com essas apurações, defesas, ataques, CPIs etc. entre os pares fosse descontado como período não-trabalhado para a nação brasileira e, portanto, não-remunerado? Já na área do Executivo, nos últimos anos não houve sequer uma idéia luminosa a ser implementada. Em decorrência disso, evidentemente teremos que amargar os apagões, acontecimentos antigos que agora têm outro nome em português. Nos tempos dantanhos, chamávamos de black-out.

Nos últimos dias, o governo já estabeleceu multas e trocou por apagões ou prêmios tantas vezes que os consumidores já não estão entendendo mais nada. Na dúvida, espera pelo pior.

Tantos anos sem apagões, agora, por culpa do descaso podemos antever ocorrências horripilantes. Enfrentar a escuridão num país com tanta violência como o Brasil atual, onde todo tipo de criminalidade ocorre em plena luz do dia, em ambientes feericamente iluminados, deverá ser um verdadeiro castigo para o povo brasileiro.

Sugiro que as lojas que estejam vendendo velas, lamparinas, lampiões de gás, a querosene, a cada item destes vendido, ofereça também uma mangueira dágua e um extintor de incêndio. Não é difícil imaginar as horas extras que os bombeiros terão que fazer com a nova iluminação de casas das periferias, os barracos das favelas com luz de vela por este Brasil varonil. Que Deus proteja as crianças e mesmo adultos que esquecem velas acesas nas estroncas dos barracos, sobre os guarda-roupas, pessoas que manipulam lamparinas ao lado de frascos com querosene etc.

Não há dúvida sobre um detalhe. Considerando-se as lâmpadas mais econômicas que estão sendo vendidas no mercado, para o período normal de abastecimento com energia elétrica, além de geladeiras, ferro de passar etc. com apagões ou sem eles, no final da história o País estará economizando 15% ou 20%. A pergunta é a seguinte: as empresas distribuidoras de energia elétrica do Brasil inteiro vão admitir essa redução em seu faturamento? Especialistas, economistas, congressistas vão fiscalizar isso nos próximos anos? No frigir dos ovos, essa economia será para o bolso de quem?

* Agora, mudando de assunto: na esquina da rua Campos Sales com Silveira Martins, em vila Falcão, há uma tampa de concreto de poço de inspeção (também pode ser chamado assim?) perigosamente quebrada. Sabe-se que pertence a uma companhia de telefone. Uma empresa municipal vem há muito tempo sinalizado diariamente o local para reduzir o perigo. Como a tampa do buraco pode ser feita com apenas um saco de cimento e a empresa municipal já encomendou outro caminhão-tanque de óleo para acender no cair da tarde ali, seria uma medida de economia resolver o problema em caráter definitivo o mais urgente possível.

* Quero cumprimentar a equipe que criou aquele comercial para o Dia das Mães em que um garoto fala para o outro que sua mãe é burra e o outro responde que a sua é muito mais burra do que a minha, pois coloca selo no papel antes de passar fax etc. Acho que o anúncio promove a figura materna, o respeito que todos devem ter com as mães. Foram levados em consideração os mais altos valores éticos, morais, religiosos. Quanto à criatividade, então, um primor!

* Finalmente, a reportagem de TV sobre um indivíduo que consegue entrar dentro de uma máquina de lavar roupa (mas não há máquinas de vários tamanhos, algumas industriais que comportam até um elefante?!) parece que não levou em conta o que as crianças fazem de brincadeira na ausência dos pais. Tomara que nenhuma delas por este Brasil afora invente de lavar o irmãozinho.

(*) B. Requena é editor de Internacional do JC

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