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Maioria adere a boicote contra cartão

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), Sebastião Homero Gomes, cerca de 85% dos 92 postos de venda de combustíveis em atividades em Bauru aderiram ao boicote às administradoras de cartão de crédito. O resultado ficou dentro do que já havia sido projetado pelo sindicato.

Para Gomes, pode ser que alguns dos postos que não aderiram ao boicote ainda venham a engrossar a lista dos 85%. Eu acredito que alguns donos de postos que não deixaram de trabalhar com cartão de crédito ainda possam decidir pela adesão ao boicote, porque os prejuízos são grandes. É impraticável continuar arcando com as taxas de administração, que variam de 3% a 5%. As administradoras de cartão estão ficando com 70% do nosso lucro. Então, acho que ainda é possível que outros postos venham a aderir. Existem alguns que suspenderam o uso do cartão há dois meses, por exemplo, diz.

A proposta feita pelo Sincopetro às administradoras era de que a taxa fosse reduzida para 1% e que o retorno do dinheiro para os postos ocorresse em até sete dias. Atualmente, esse prazo é de 30 dias, em média. Em São Paulo, o sindicato pediu redução da taxa para 0,75% e retorno do dinheiro em 72 horas. Porém, segundo Gomes, a única oferta das administradoras foi de reduzir a taxa para 2,5%, continuando com o mesmo prazo para ser efetuado o retorno aos empresários do setor. Não é possível aceitar uma coisa dessas, porque reduzir em apenas 0,5% as taxas de administração não alivia em nada o nosso problema, afirma Gomes.

Apesar dos muitos comentários que já foram feitos em relação aos prejuízos causados pelo boicote para quem tem o hábito de abastecer o veículo com pagamento via cartão de crédito, até ontem nenhuma reclamação havia sido registrada no Procon de Bauru. Segundo o coordenador do órgão de defesa do consumidor, Silvio Orti, os atendentes não receberam, nem mesmo, ligações de consumidores solicitando informações sobre a situação dos usuários de cartão diante do boicote, que atinge a maioria dos postos de venda de combustíveis da cidade.

Para Orti, não poder utilizar o cartão de crédito para pagar o combustível adquirido por um consumidor é uma forma de restrição do uso do cartão. Segundo o coordenador do Procon, isso gera, até mesmo, um questionamento sobre se o valor da anuidade paga pelo usuário deveria permanecer o mesmo. Quando você adquire um cartão de crédito, está comprando um produto que permitirá a sua utilização em diversas situações. Na situação do boicote dos postos, o usuário passa a ter uma restrição nas opções de uso do cartão. Mas, para ter um cartão de crédito, é preciso pagar uma taxa de anuidade, ou seja, você paga para utilizá-lo. Se uma pessoa adquiriu esse produto por um certo preço porque tinha a possibilidade de fazer um determinado uso dele, com o boicote esse uso sofre uma diminuição. Em função disso, será que as administradoras deveriam rever a anuidade ou devolver ao usuário do cartão uma parte do valor cobrado por essa taxa? Isso é questionável. Eu entendo que se a utilização do cartão foi reduzida, o mesmo deveria ocorrer com a taxa de anuidade cobrada do usuário, observa Orti.

Se algum consumidor se sentir lesado com a impossibilidade de utilizar o cartão de crédito para pagar combustível, pode registrar uma reclamação no Procon. Segundo o coordenador do órgão, cada caso será analisado individualmente para decidir quais providências deverão ser tomadas.

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