Geral

Espanha: o caminho da língua castelhana

Redação
| Tempo de leitura: 7 min

O caminho da língua castelhana nos leva a descobrir a origem e a história do idioma, da literatura e da cultura da Espanha. A viagem começa nos mosteiros de Suso e Yuoso (La Rioja) e prossegue por Santo Domingo de Silos (Burgos), Valladolid, Salamanca, Ávila e Madri, para finalizar em Alcalá de Henares, berço do genial escritor Miguel de Cervantes.

Burgos

No mosteiro de Santo Domingo de Silos, na província de Burgos, se conservam as Glosas Silenses, uma das primeiras amostras escritas do castelhano que datam do final do século XI, e que, ao igual que as Emilianenses, são comentários para esclarecer textos latinos.

A biblioteca do Mosteiro de Silos, que foi construída naquela época, guarda na atualidade mais de 60 mil volumes.

Nos séculos XII e XIII se realizaram importantes construções no mosteiro, das quais a mais destacada foi a do claustro, jóia universal do românico, em cujos relevos se representam cenas da vida de Cristo. A botica do mosteiro tem uma coleção de potes de cerâmica, que a convertem na mais antiga e importante da Espanha junto a de Peñaranda de Duero.

Uma das atrações deste mosteiro é assistir uma missa em canto gregoriano (textos latinos entoados pelos monges). Elas acontecem todos os dias às 9 horas e nos feriados às 12 horas. Na atualidade o mosteiro oferece hospedagem exclusivamente para homens. Informações pelo telefone: 34-947 390 068.

Também na província de Burgos vale a pena visitar Covarrubias, conjunto histórico de grande beleza com casas de madeira e espaços porticados e arquitetura defensiva, com uma torre do século X. Pode ser visitado todos os dias das 10h30 às 14 horas e das 16 às 20 horas, menos às terças.

San Pedro de Arianza, mosteiro fundado no século X pelos primeiros Condes de Castela, no qual destacam a igreja de planta basilical, os claustros e os restos românicos da torre, também merecem ser visitados. Horário de visita das 10 às 17 horas no inverno, e das 10 às 14 horas e das 16 às 20 horas o resto do ano, menos o último final de semana de cada mês.

Também vale a pena ver Lerma, vila construída no século XVII, sobressai o Palácio Ducal, o Colégio de Santa Clara e a Colegiata de San Pedro; Peñaranda de Duero, na Praça Maior ainda se conserva o pelourinho da Idade Média junto ao Palácio Renascentista de Avellaneda. Destaque também para o castelo da época da Reconquista; Atapuerca, escavações arqueológicas onde foram encontrados restos humanos de 800 mil anos, os mais antigos que se conhecem.

La Rioja

Nos mosteiros de Suso e Yuso, em San Millán de la Cogolla, foram escritas, faz mais de mil anos, as primeiras palavras em castelhano. Ali, no século XI, um monge que tinha dificuldade na compreensão de um texto em latim, anotou nas margens sua tradução na língua romance, um latim popular que, evolucionado, hoje são conhecidas com Glosas Emilianenses. Estudos recentes confirmam que as primeiras palavras escritas em romance hispano datam do século X e apareceram no códice 46, dicionário enciclopédico com mais de 20 mil entradas ordenadas de A a Z, as vozes em romance não são somente anotações nas margens de um manuscrito, senão parte do texto escrito em um latim muito poluído já pela fala popular. Este manuscrito recolhe todo o saber daquela época e esclarece numerosos inigmas da Idade Média.

Três séculos mais tarde, também em San Millán, outro monge, Gonzalo de Berceo, converte-se no primeiro poeta de nome conhecido na língua castelhana.

Os mosteiros de Suso (do latim sursum, o de cima) e Yuso (do latim deorsum, o de baixo) formam um importante conjunto monumental e foram declarados Patrimônio da Humanidade no ano de 1997.

Horários de visita: no inverno, das 10h30 às 13 horas e das 16 às 18 horas; no verão, das 10h30 às 18h30.

Valladolid

Valladolid, fala, pensa e sente em castelhano. Sua Universidade acolhe mais de 30 mil estudantes, e ao longo do ano desenvolve numerosas atividades em prol do cultivo e difusão da língua espanhola. No verão, organiza cursos para estrangeiros.

Em Valladolid pode-se visitar a Casa-Museo de Cervantes, prédio do século XVII no qual Cervantes morou. Na atualidade funciona como biblioteca. No seu interior estão expostos móveis, objetos artísticos e domésticos de uma vivenda da época.

Ainda, vale a pena visitar a Casa-Museu Zorrilla, casa Natal de José Zorrilla, autor de D. Juan Tenorio. Objetos e móveis recriam um interior da época romântica.

O Colégio de San Gregorio - Museu Nacional de Escultura Policromada - cujo edifício foi construído nos finais do século XV. A fachada conta com um belo retábulo em estilo gótico-isabelino e merece ser visitada, assim como o Castelo de Peñafiel (século XVI), que está estreitamente vinculado à vida e obra do Infante D. Juan Manuel, autor do Conde de Lucanor e considerado como o primer prosista castelhano com um estilo pessoal.

Ávila

A partir de 1515, se desenvolve em Ávila uma corrente de literatura mística com Santa Teresa de Jesús e San Juan de la Cruz. O castelhano já é capaz de expressar matizes variados, sutilezas e sentimentos.

Daquele passado, podem visitar-se o Convento de Santa, erguido no mesmo lugar onde nasceu Santa Teresa, o Convento de Nossa Senhora de Gracia, o Convento de la Encarnación, onde Santa Teresa esteve durante 27 anos, cinco dos quais coincidiu com San Juan de la Cruz. Estes anos foram de mútuo enriquecimento espiritual, de intensa experiência mística e de grande fazer literário. Por último, o Convento de San José, que foi a primeira Fundação de Carmelitas Descalças.

Salamanca

Em Salamanca foi editada, em 1492, a primeira gramática de uma língua européia moderna. Antonio de Nebrija, que fora catedrático da Universidade, estabeleceu em sua Gramática da língua castelhana as primeiras normas de uso do castelhano, ao mesmo tempo que fez uma crítica ao uso dos latinismos, muito freqüente na época. Com esta obra, o castelhano consegue equiparar-se as línguas clássicas, as únicas que até então tinham manuais escritos com suas normas gramaticais.

A gramática de Nebrija foi um instrumento fundamental para a posterior expansão da Novo Mundo.

A Universidade de Salamanca, uma das primeira da Europa, foi fundada no ano 1218. Hoje, 700 anos depois, sua notoriedade continua intata, assim como sua trajetória histórica de impulsora da língua castelhana.

Os prédios que albergan a Universidade de Salamanca têm um importante caráter artístico.

Ao longo do ano se impartem cursos para estrangeiros de língua e cultura da Espanha.

Alguns dos lugares mais interessantes para visitar em Salamanca são: a Casa de las Conchas, toma o nome do emblema da Ordem de Santiago, que enfeita sua fachada, hoje funciona como biblioteca pública; a Praça Maior, utilizada em outros tempos para as touradas, hoje é um importante centro de lazer de lojas, bares e cafés e o Museu de Art Nouveau e Art Decó, com uma interessante amostra de mobília, peças de joalheria, pintura e outras artes industriais de princípios do século XX.

Madri

Na província de Madri, Miguel de Cervantes, o escritor mais conhecido em língua castelhana, transmitiu a Alcalá de Henares, sua cidade natal, um legado cultural que vive em consonância com sua tradição universitária. Se o autor do El Quijote, para muitos a Bíblia do Castelhano, fez daquela língua romance que somente parecia ter lugar nas margens dos textos latinos, um idioma universal, a Universidade de Alcalá de Henares, fundada pelo Cardenal Cisneros, continua difundindo o castelhano no mundo. Por ela passaram grandes mestres e alunos como Quevedo, Lope de Vega, San Ignacio de Loyola ou Calderon de la Barca, considerados hoje grandes clássicos da literatura espanhola.

Visitar a Universidade de Alcalá, que oferece cursos de castelhano para estrangeiros, a Casa Museu de Cervantes, um exemplo de moradia castelhana do século XVI, o Colégio de San Idelfonso com belíssimos pátios, é programa imperdível em Madri.

Comentários

Comentários