Geral

Pedido na justa medida

(*) N. Serra
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É indubitável e, por isso todos o sabem, que a imprensa tem, por natureza, um cardápio de responsabilidades sociais muito recheado na mesa maciça da coletividade a que serve, diariamente, em quase todas as horas. É uma verdade que, não obstante, muitos ignoram, mas existe em profundidade, haja vista que não se esconde nos recônditos das águas turvas, nas quais podem, então, ser observadas claramente pelos órgãos da Justiça. Conseqüentemente, na condição de jornalista responsável, a nossa principal tarefa, todas as manhãs, outra não é senão procurar descobrir nas páginas do jornal algo que possa ser interpretado como crime de imprensa ou matéria inaceitável pela opinião pública. Contudo, costumamos dar duplo sentido a essa vistoria matutina, tentando detectar nas informações estampadas assuntos aproveitáveis para comentários ou opiniões. Mas, nem sempre logramos distingui-los na medida e na forma em que os desejamos. Há dias, por exemplo, em que parece que o mundo, o país, o Estado e o município param ou estacionam na véspera e, conseqüentemente, nada permitem que aconteça para ser publicado. Nesses dias, então, o jornalista acorda como que desarmado, obrigando-se a acomodar a cabeça entre as mãos para cutucar e estimular os pensamentos adormecidos. A última segunda-feira foi um desses dias vazios de temas ou intuições. Mas tivemos sorte porque nossa prezada companheira de trabalho, a simpática Rosana, logo aparecia sorridente, diante da gente, para nos oferecer, gentilmente, um exemplar do dia, em que se destacava aquela interessante matéria sobre a Carta de Bauru. Achamos, então, que com isso o panorama se desanuviara rapidamente diante de nossos olhos, porquanto ali estava um assunto que nos faltava, eis que a Carta nos abria o horizonte para o uso de espaço que precisávamos preencher. E podemos ir em frente? Sim, podemos! O que pede de positivo a missiva? Exatamente aquilo que não pode faltar à administração pública, como seja uma consciência bem profunda de suas responsabilidades no comando da Municipalidade. Conforme a notícia colhida pelo prezado colega Ricardo Polettini, tomando, generosamente, toda a Página 7 do JC, a epístola não poupa nem um pouquinho o poder público quanto aos graves problemas ambientais existentes na cidade, entre eles os das revolucionárias enchentes, das perigosas erosões, das extensas calçadas esburacadas e dos danos nos asfaltos de ruas, avenidas e caminhos íngremes. E, agora, com o inesperado advento do apagão, a mistura das carências das vias públicas com a escuridão do cenário vai tornar a urbe ainda mais triste e problemática. Então, a missiva não mente. Pede o que precisa pedir. Vem, no momento asado e, então, seus signatários se reúnem não só oportunamente como ornados por uma ampla coroa de motivos para reclamar do governo municipal um bom bocado de providências que a população está esmolando já faz tempo. É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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