Os policiais aguardam resposta do Governo Estadual sobre reposição salarial, mas não cogitam paralisações
Sem cogitar a possibilidade de futuras paralisações, policiais militares e civis aguardam para a semana que vem um aceno do Governo Estadual para a reposição salarial de emergência reivindicada pelas categorias. Na próxima terça-feira, o pedido será formalmente apresentado ao secretário de Estado da Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi, que o levará ao conhecimento do governador Geraldo Alckmin, que é, na verdade, quem tem a chave do cofre e o poder de atendê-lo ou não. As corporações, que resolveram se unir em prol do aumento, querem um reajuste mínimo de 41,04%, inclusive para os inativos e pensionistas.
Na última terça-feira, membros de 14 entidades representativas das polícias militar e civil (em nome de delegados, oficiais da PM, sargentos, cabos, soldados, tenentes, investigadores, etc) estiveram reunidos, na Assembléia Legislativa, com o deputado Wilson Morais de Oliveira, presidente da Associação dos Cabos e Soldados da PM e defensor da categoria na Casa. A idéia de fechar um lobby com o apoio dos demais parlamentares deu certo, ou seja, nenhum manifestou-se contra a reivindicação.
O movimento pró-reposição, o qual também pleiteia a criação de uma comissão mista para estudar a reestruturação salarial das corporações, foi iniciado oficialmente no dia 17 último, quando o Comando Geral da PM tomou conhecimento das reivindicações e assentiu a mobilização.
Para o presidente da regional-Bauru da Associação dos Cabos e Soldados, Aparício Batista do Nascimento, o pedido é mais do que justo, particularmente pelo tempo que os policiais vêm sem qualquer melhoria salarial. Os oficiais estão há seis anos sem aumento e os cabos e soldados, há quatro. Por conta dos baixos ordenados, muitos profissionais são obrigados a fazer bicos para complementar a renda, enquanto os mais descontentes não suportam a pressão. Só nos últimos oito anos, a PM teria recebido 52 mil pedidos de baixa. As entidades sociais das suas polícias também passam por dificuldades.
No Paraná, a PM conseguiu obter uma gratificação especial e mais 2% de reajuste. Já no Tocantins, policiais estão realizando paralisações para pressionar o governo. Em São Paulo, ao ânimos estão mais tranqüilos, embora haja grupos defendendo a greve, como o liderado por Wanderlei Bailone, presidente da Associação dos Investigadores. Entendemos que não é hora de radicalizar, principalmente porque a população vai precisar muito da polícia agora, com esse racionamento de energia e possibilidade de apagões, contrariou Nascimento, dando dica de que o empenho das polícias diante das eventuais conseqüências do racionamento pode ser a moeda de troca nas negociações com o governo.