A Lei de Responsabilidade Fiscal amplia o mercado de trabalho e a responsabilidade do contador. Esta é a opinião do presidente da Associação Científica Internacional de Contabilidade e Economia, doutor Antônio Lopes de Sá, que esteve em Bauru no II Encontro de Contabilistas, Estudantes e Empresários da Contabilidade de Bauru e região, promovido pelo Sindicato dos Contabilistas de Bauru (Sindcon) e Conselho Regional de Contabilidade (CRC).
Na opinião dele, a contabilidade pública, tradicionalmente como era feita, já não satisfaz mais. Hoje, aqueles prefeitos, governadores que quiserem realmente cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal terão que adaptar as suas contabilidades para uma contabilidade gerencial, já que o que se quer medir é a eficácia na aplicação do dinheiro público.
Sá acredita que é preciso mudar a consciência da administração pública. A lisura não basta.Uma coisa pode ser legal e ser um desperdício. Nem sempre o que é legal é o conveniente. Hoje, ao lado do aspecto legal, é preciso observar o lado operacional na gestão do dinheiro do contribuinte. Para isso, é importante a presença de profissionais competentes.
Ele acredita que a concepção de contabilidade tradicional está ultrapassada. Hoje a contabilidade é uma chave essencial para a manutenção da moral e de combate à corrupção. É a chave para prosperidade das empresas e, por conseguinte, pela prosperidade social.
O contador, segundo ele, não é mais aquele sujeito que apenas informava. A contabilidade, com a transformação da sociedade, teve que repensar seu papel. A contabilidade só se transformou em ciência no início do século 19, quando os contadores descobriram que o problema não era informar. Era saber o que fazer com a informação, dai em diante, iniciaram os estudos.
Neste último século, de acordo com Sá, o contador teve que repensar, inclusive, seus métodos científicos. Hoje, nós atendemos ao setor ambiental, setor social, ao setor de recursos humanos. A contabilidade se ampliou. Deixou de observar o que era acontecido ou poderia acontecer, que eram os orçamentos, para raciocinar sobre aquilo que faz acontecer, o que influi realmente.
As modificações curriculares no curso de formação de contador estão sendo feitas para adaptar o novo profissional à nova realidade. As mudanças não se operam como um relâmpago. Talvez, como aurora, de raio em raio, até que o dia se faça. Os novos currículos deram mais relevo ao problema teórico, doutrinário, para dar sustentação doutrinária-científica.