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Aloysio: Palácio não tem medo de tiro

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Secretário da Presidência da República diz que presidente Fernando Henrique não teme discurso de ACM

O Palácio do Planalto está tranqüilo em relação ao discurso que o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL) vai fazer na próxima quarta-feira, quando anunciará a renúncia de seu mandato. A afirmação é do secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira, que ontem desembarcou em Bauru a caminho de Pederneiras.

O senador baiano, envolvido no escândalo da quebra de sigilo do painel eletrônico do Senado, já deu sinais de que vai sair atirando e até comentou a interlocutores mais próximos que seu alvo principal será o presidente Fernando Henrique Cardoso.

O Palácio não tem medo de tiro de ninguém. Nós não temos nada a temer do senador Antonio Carlos Magalhães ou de quem quer que seja. Se houver denúncias que sejam sérias, o presidente vai determinar a apuração, como sempre tem feito, combatendo a corrupção com denodo, com constância e com eficásia como tem feito desde o primeiro dia de seu governo.

O secretário garantiu que o clima no Palácio do Planalto é de tranqüilidade e que não há expectativa nenhuma em torno do discurso que o senador vai fazer na próxima quarta-feira. Nós não temos expectativa nenhuma. Esse é um problema do senador. É uma decisão que ele vai tomar, segundo critérios pessoais dele. O Palácio, desde o início desse processo, sempre considerou que era uma questão do Senado, que começou lá e que tem que terminar lá.

Eleições

Na avaliação de Nunes, a eleição para a Presidência da República, agendada para o próximo ano, será muito disputada. Para ele, não se pode dizer que há candidaturas naturais, como foi a do presidente Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998, quando foi reeleito para o posto.

Eu só tenho uma convicção: a de que o nosso candidato, do PSDB, vai estar no segundo turno e vai ganhar a eleição. O secretário da Presidência diz que é vontade do partido e do presidente Fernando Henrique reconduzir a aliança que hoje dá sustentação ao governo, formada pelo PFL e pelo PMDB.

É muito difícil se governar um País com os problemas que temos sem uma coalizão ampla. A história mostra isso. O apoio amplo do Congresso é decisivo para o êxito de qualquer governo. Nós vamos fazer, portanto, muito esforço para reconduzir essa aliança.

Ele afirmou que a pré-candidatura do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, está sendo discutida com muita seriedade pelo PMDB. É muito difícil você contrapor a candidatura de alguém que tem nome e endereço, como é o caso do governador Itamar Franco, à tese abstrata da aliança com o candidato que nós ainda não temos. Mas no momento em que nós tivermos o nosso candidato, teremos condições de conversar com o PMDB em termos mais conclusivos para uma aliança conosco.

Nunes preferiu não se definir e apontar um nome de sua preferência para disputar a Presidência da República pelo PSDB. Nós temos vários nomes, o que é bom. Temos o ministro José Serra, o governador (do Ceará) Tasso Jereissati, o ministro (da Educação) Paulo Renato, e até mesmo o governador (do Mato Grosso) Dante de Oliveira, que na última convenção do partido apareceu com correligionários seus que queriam lançá-lo à Presidência da República. Acho ótimo que o PSDB tenha uma profusão de bons candidatos.

Eletrocutado

O secretário-geral da Presidência da República decidiu racionar suas declarações quando o assunto chegou no racionamento de energia decretado pelo Governo Federal. Ao ser questionado sobre o desgaste que o governo está acumulando por conta das medidas amargas tomadas para evitar os apagões, Nunes economizou nas palavras.

Eu acho que é uma coisa muito incômoda esse racionamento. Acho que há uma mobilização muito profunda das pessoas para fazer face à escassez de energia. E tenho certeza de que quem quiser fazer política com esse assunto vai se dar mal. Vai ser eletrocutado.

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