Entre os poucos adolescentes que procuram por leitura espontaneamente, o suspense está entre os gêneros preferidos
O teen bauruense não gosta de ler. Basta ver que a procura por livros de leitura obrigatória, por motivos escolares, é maior que a busca espontânea nas livrarias e bibliotecas de Bauru.
A adolescência é a fase mais crítica do leitor. Eles são mais rebeldes. Têm preguiça, avalia o gerente de livraria Nilo Sérgio Alves Júnior.
Para Denise Ribeiro, sócia de uma livraria, em questão de literatura, os jovens lêem pouco além dos livros indicados para o vestibular. Mas existem exceções, acrescenta. Entre os mais procurados, ela aponta a série Harry Potter, para os que estão na faixa dos 12 aos 14 anos, Paulo Coelho e livros de auto-ajuda para os mais velhos, até 18 anos. Existe também o interesse de se aprofundar em um tema por meio dos livros. Uma pessoa que luta judô, por exemplo, pode buscar um livro sobre o assunto, afirma Denise.
De acordo com a bibliotecária Florinda Kazuko Shimazaki, a maioria dos jovens que procuram a Biblioteca Municipal estão lá para realizar alguma pesquisa ou estudar para o vestibular. O exemplo da família e dos professores também é muito importante, pondera.
Para a também bibliotecária Maria Luiza Zanzarini Araújo, o hábito de leitura deve ser cultivado entre as crianças. O adolescente não gosta de ler mesmo, prefere o computador, afirma.
Apesar de se considerar um fã da leitura, o estudante Márcio Rodrigo Wolf Batista, 19 anos, confirma a tese. O pessoal prefere a TV e a Internet, diz. Não gosto de ler, admite Luciana Peralta Garcia, 15 anos. Prefiro ver TV, sentencia Jayana Pinheiro, 15 anos.
Só venho aqui (na Biblioteca Municipal) para fazer trabalho. Não tenho muito interesse por livros. Basicamente, só leio o que o professor manda, afirma Leandro Guedes de Aguiar, 13 anos.
Entre os que gostam de ler, o suspense é um dos gêneros mais apreciados. Eles gostam de RPG (livros-jogos), alguma de coisa de esportes e bastante de suspense, tipo Agatha Christie, Anne Rice e Sherlock Holmes, afirma Nilo Júnior.
Os livros de suspense são mais interessantes. Eu leio livros deste tipo mais rápido, conta Paula Menão, 16 anos. O suspense também é o gênero predileto de Dagner Lages Santos, que, na semana passada, estudava para o Enem na Biblioteca Municipal.
A bibliotecária Florinda Shimazaki diz que a procura na Bilioteca Municipal é alta entre os livros de suspense e de alguns outros assuntos. A bruxaria está muito em alta e os livros do Paulo Coelho, afirma. Fora isso, as obras mais procuradas são as das coleções Valagalume e da série Veredas, normalmente indicadas por professores.
Exceção entre os teens, Antônio Carlos Gonçalves Sales, 18 anos, diz que lê mais por conta própria que por determinação de professores e exames, como o Enem e o vestibular. Tenho vários livros em casa, conta.
Bibliônibus
Com um perfil de leitores diferente dos de bibliotecas fixas, o Bibliônibus é o ônibus-biblioteca da Prefeitura que vai a cada dia para um bairro da periferia da cidade. O responsável por cuidar do serviço, Roberto Cunha, diz que a maioria da procura é por histórias em quadrinhos. Gibi é o campeão, revela.
Ele diz que percebe a dificuldade dos jovens em relacionar-se com o mundo da leitura. Eles não têm prática. O pessoal não gosta de livro que pareça pesado. Eles têm medo de livro grosso, diz.
Além dos gibis, os livros muito procurados são os da série Vagalume, Júlia e Sabrina. Muitos pegam livros infantis por serem mais curtos. Têm gente de 16 anos que só lê livro com figura, exemplifica.
Por conta do medo de livros grossos, ele atribui o sucesso da série Vagalume. Cunha diz que diferente das bibliotecas fixas, o estudante que busca o Bibliônibus não procura literatura indicada por professores, mas está lendo porque gosta. Ainda assim eles têm dificuldade. O pessoal lê muito lentamente e tem um repertório reduzido de palavras, constata.