A minha intenção não é abrir uma discussão pessoal com a administração do DAE sobre os procedimentos que julgo serem os corretos, quando se trata da coisa pública. Ao deparar-me com a resposta da Assessoria de Imprensa do DAE, publicada na edição de 24/5/2001, não poderia me esquivar dos assuntos ali tratados, bem como externar que não fiquei inteiramente satisfeito com a resposta dada. Senti também que fui mal interpretado pelo signatário. Abro parênteses para louvar o papel da imprensa de levar a todo canto a informação correta e que satisfaça ao leitor. Os esclarecimentos prestados ao contribuinte sobre a destinação dos recursos públicos é de fundamental importância. Sabendo que o dinheiro do munícipe não foi gasto indevidamente em festividades particulares do DAE é o que verdadeiramente interessa. Se tudo que ali foi gasto não há uma só gota de recurso público, eu me rendo às explicações dadas. Todavia, se não forem verdadeiras tais explicações, não cabe a mim julgá-las. Só me cabe o direito de indagar, devendo o Tribunal de Contas verificar a legalidade das despesas e ao Ministério Público a apuração de responsabilidade.
Não concordo com a afirmativa do tal assessor de que não seja necessário provar que os atos do sr. Dudu Ranieri foram perfeitamente legais. Muito pelo contrário. O sr. Dudu pode fazer o que bem entender com os seus negócios particulares. Mas no cargo público que ocupa, deve dar satisfação a todo cidadão, da mesma forma como respondeu à minha crítica, esclarecendo as dúvidas, que também poderiam ser de outro cidadão. Também não concordo com o recebimento de doações de gêneros alimentícios por parte de uma autarquia, já que, em tese, o doador pode querer cobrar mais tarde o favor realizado, principalmente se ele for fornecedor regular da entidade (Não estou acusando nenhum servidor de tal irregularidade). Todavia, não é ético que tais recebimentos sejam realizados, já que o funcionário que o recebe pode ficar comprometido moralmente em ter recebido algo que pode parecer propina. As doações devem ser registradas contabilmente em favor do órgão, passando a pertencer ao patrimônio público.
O órgão público, em princípio, deve só consumir aquilo que o contribuinte lhe coloca à disposição, através do orçamento, aprovado pelo Legislativo. Tudo fora disso é ilegal e pode descambar em prevaricação. O nobre assessor não me conhece o suficiente para me julgar incapaz de distinguir homens honestos, dignos e competentes, como escreveu em sua resposta. Não desejo julgar ninguém, pois não sou magistrado, mas certamente as urnas, nas próximas eleições, é que dirão o quanto agradaram ao eleitor. A minha opinião a mim pertence, agrade ou não quem quer que seja. Esta é a vantagem da democracia. Pessoalmente, nada tenho contra qualquer pessoa do DAE. Também não tenho nenhum interesse de comparecer a festividades que a mim não dizem respeito, todavia não posso concordar que elas sejam realizadas ao arrepio da lei. Por isso, o DAE não pode gastar recursos seus em atividades privadas.
Nunca disse que os servidores do DAE não sejam abnegados, competentes e merecedores do nosso apreço e admiração. Aliás, se não fosse por eles, não teríamos o serviço de qualidade, digno de elogios da população. O que não pode é se utilizar o serviço público para promoções de ordem pessoal. O bem público deve sempre ser revertido ao contribuinte e não pode ser compartilhado com apenas os funcionários da autarquia a que servem. Tudo tem de estar sob a cobertura sagrada da lei. Por isso que o administrador público, além de ser íntegro, deve transparecer honestidade de propósitos em todos os seus atos, para que toda a população saiba claramente o destino do recurso municipal. Trocando em miúdos, tem que ser honesto e parecer honesto.
Sou totalmente apartidário em questões políticas. Não me interesso pela forma como a política partidária é tratada no País, mas torço sinceramente para que a população seja recompensada na escolha que fez na eleição do ano passado. Se todos os projetos visualizados pela administração pública municipal, e particularmente pelo DAE, forem à frente, só nos resta parabenizar a cidade pelas conquistas, porque soube escolher bem seus representantes. Dou o meu voto de confiança aos que aí estão, até que me provem ao contrário. Mas estou apreensivo, pois sinto a administração municipal entorpecida e pouco atuante. Espero que esteja enganado. Atenciosamente. (José Ricardo Siqueira Silva - RG 014.226.321-9)