Não é preciso muita elasticidade de inteligência para entender o apagão. Não é de hoje que os números, os dados existentes atestam claramente a existência de uma crise no setor energético e a muito esperada e obviamente negligenciada pelas autoridades responsáveis pelo setor. Suas conseqüências não serão nada boas para o comércio, a indústria e em especial para a economia nacional, podendo afetar até mesmo a balança comercial, o setor produtivo (fechamento de fábricas, desemprego e talvez até inflação).
Sem dúvida alguma, faltou um direcionamento de recursos para construção de novas usinas, uma política de incentivos para suportar o crescimento inevitável da demanda de energia. Talvez essa falta de investimento se deva à certeza da privatização do setor que nem sempre é bem-sucedida, reduzindo custos, expansão do sistema e seja realmente eficiente. (Ex: ferrovias). Não houve nenhuma política preventiva mas, com certeza um grande e evidente fracasso total no setor energético causado pela falta de uma consciência nacional ativa e vigilante.
Os mais penalizados sem dúvida alguma serão o cidadão e o setor produtivo do País inteiro, e tão importante quanto construir usinas e construir redes de transmissão, o que também não se fez.
Em resumo, essa é uma crise grave e de conseqüências desastrosas que, lamentavelmente, não foi evitada e, só nos resta uma saída, colaborar, economizando para tentar amenizar o problema que se nos apresenta, através de um sincero sentimento patriótico, uma verdadeira consciência brasileira.
Entendemos que a Medida Provisória tem força de Lei, mas estamos de pleno acordo com o nosso amigo, o brilhante jurista Fabio Konder Comparato: pela lei, quem paga a conta em dia não pode ter a luz cortada. (Blasco Peres Rego - O.A.B. 17.461)