A dependência química de universitários vem despertando interesse e preocupação de profissionais das áreas de saúde e social no Estado de São Paulo e em Bauru. O projeto Viver Bem, desenvolvido desde 1998 em todos os câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) por equipes de professores e funcionários de suas faculdades, está realizando uma etapa de intervenção entre os unespianos com o objetivo de reduzir a dependência química - em especial o alcoolismo - entre os alunos. As orientações não têm como objetivo a abstinência do álcool, mas a conscientização dos usuários para que bebam de forma mais adequada.
De acordo com Maria Odete Simão, assistente social do Departamento de Psiquiatria da Unesp de Botucatu, o projeto teve início no segundo semestre de 1998, quando foi aplicada uma pesquisa entre os alunos da universidade com o objetivo de identificar o perfil dos estudantes quanto às dependências químicas. A preocupação era o álcool, outras drogas e a qualidade de vida dos alunos, afirmou.
A pesquisa, que abordou 11.878 alunos da Unesp, entre os cerca de 12 mil, em 1998, revelou que 74% deles ingeriam bebidas alcoólicas com freqüência. Além disso, 14% dos que responderam o questionário eram usuários de maconha e 11,3% utilizavam solventes.
Entre os fatores que influenciariam o comportamento dos alunos em relação à dependência química, a vida em repúblicas - casas em que os estudantes moram com amigos - seria um fator relevante, de acordo com Maria Odete. Os principais fatores de risco que identificamos para a dependência química entre os estudantes abordados na pesquisa são: o contato precoce com as drogas, ou seja, experimentar antes de entrar na faculdade; o hábito de fumar; morar com amigos que usam ou aprovam o uso de drogas; e a existência de histórico familiar de dependentes químicos, enfatiza a assistente social.
O público-alvo do projeto são calouros, já que apresentariam menos resistência aos tratamentos. Alunos de todos os câmpus da Unesp foram selecionados, com base na pesquisa de 1998, para realizar acompanhamento periódico junto a profissionais das áreas de saúde e social. Desde então, a cada seis meses eles seriam procurados para verificar os efeitos das orientações do Projeto Viver Bem em seus hábitos.
Cada câmpus da Unesp conta com uma equipe de apoio ao projeto, que permanece disponível aos alunos que necessitam de esclarecimentos ou orientações. Em Bauru, a equipe que orienta os alunos selecionados é coordenada pelos professores Vera Resende, do Departamento de Psicologia, e Marcos Rossi, do Departamento de Engenharia.
Uma das principais inovações da iniciativa, de acordo com Maria Odete, seria a busca de uma atuação entre os estudantes que não seja radical. Trabalhamos com a idéia de redução de danos. Não pregamos a abstinência, mas sim que as pessoas bebam com mais consciência, de forma mais adequada. Algumas dicas como beber com o estômago cheio ou intercalar a bebida alcoólica com suco ou água ajudam, esclarece.
Resultados
A maior parte dos resultados dos trabalhos de intervenção junto aos unespianos não é obtida a curto prazo, de acordo com Maria Odete. No entanto, de 1998 aos dias de hoje, foram observadas pequenas modificações na relação dos alunos orientados sobre as drogas, em especial o álcool. Já houve uma discreta diminuição, mas a expectativa é de que diminua bastante, ainda mais, revelou a assistente social.
No próximo dia 29 de agosto, a campanha educativa do Projeto Viver Bem deverá promover, nos câmpus da Unesp, o Dia de Alerta, em que haverá palestras de orientação aos alunos químico-dependentes.