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CAOS: NEFASTA ORGANIZAÇÃO

Ivan Garcia Goffi
| Tempo de leitura: 2 min

Se Sarney, Collor, Itamar e FHC tivessem planejado o caos para o Brasil, ele não seria tão perfeito. A abertura política, tão almejada e festejada há 16 anos, inaugurou um período de fechamento econômico, social e moral. De lá para cá, nenhum investimento foi feito neste País. As rodovias, construídas nas décadas de 60 e 70, não receberam nada mais que operações tapa-buracos; o setor energético, que chegou ao seu ápice com a Hidrelétrica de Itaipu (que seríamos de nós sem ela, hoje), estagnou; a educação, faliu; a Saúde, sucumbiu. Enfim, por qualquer ótica que se observe, os últimos impulsos no desenvolvimento do Brasil possui entre 20 e 30 anos.

No início da década de 90, tínhamos uma galopante inflação de 50, 60% ao mês e, apenas seis anos após a abertura política, já éramos contemplados com o grandioso esquema dos anões do orçamento (hoje deputados e senadores que renunciaram à época). Seguiram-se dezenas de outros, envolvendo uma nefasta farra entre políticos, empresários e banqueiros, numa trama tão diabólica que colocou o Brasil no topo da corrupção mundial; ganhamos até das republiquetas africanas. Na verdade, abertura política significou abertura dos cofres públicos e o direito de reclamar, xingar e manifestar, mas nunca de ver o ressarcimento do dinheiro desviado e a punição dos envolvidos.

O Plano de FHC tinha tudo para endireitar o Brasil. Porém, quando quis impor sua ditadura, com o segundo mandato, percebeu que somente confabulando com o Congresso aberto politicamente conseguiria algo; pronto: o caos estacionado voltou a andar a todo vapor. A cessão de cargos e loteamento do governo com tecnocratas e aliados políticos, deixou-o refém de um Congresso 75% corrupto (mera dedução lógica, pois apenas 25% dos congressistas assinaram a CPI da corrupção) e sujeitou-nos aos interesses de grupos privados, haja vista as facilidades que as concessões e obras públicas oferecem.

Estamos diante da crise energética, mas quais eram os ministros e demais ocupantes do setor, no Governo? Resposta: todos os indicados por ACM. A maior preocupação desse grupo era garantir à OAS a construção das 49 futuras usinas termoelétricas, e não estudar as deficiências nas hidráulicas (revista ISTOÉ 1640). O resultado já conhecemos e o sr. FHC tomou sérias medidas: demitiu os correligionários de ACM (risos).

Gostaria de poder rir, mas tenho que chorar; chorar por ver um País esfacelado, à beira do colapso, sem forças morais ou materiais para ser resgatado do fundo do poço. A classe política, entorpecida e entorpecente, finge não ver nossa real posição e é isso que me preocupa, pois enquanto eles pensam, o Brasil segue desgovernado, literalmente, imputando ao povo um atraso que nem mesmo décadas de seriedade poderão cicatrizar as mazelas de hoje. Isso é abertura política (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)

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