Apesar de ausente há cerca de dois anos da cidade de Bauru, fiquei extremamente indignado com o parecer da Câmara Municipal com relação ao projeto lei de iniciativa popular que trata da prorrogação da concessão do transporte coletivo desta cidade.
O que mais me deixa espantado são as atitudes verificadas por alguns vereadores quanto ao caso. No passado, principalmente em época de eleições, muito dos que ainda se encontram por longa data nesta Câmara compareciam exaustivamente à sede da Empresa ECCB em busca de votos e de recursos para financiar suas campanhas eleitoreiras. Mas não vem ao caso tratar deste assunto neste momento tão crítico em que se encontram todos os familiares e empregados desta tradicional e modelo de empresa apontada regularmente por críticos do setor de transportes.
Não sou tolo de apontar a culpa exclusivamente ao poder público municipal, sei que todos os fatos e atos que envolveram a ECCB nos últimos anos estão também intrinsicamente ligados à incompetência administrativa e estratégica de sua diretoria. Não é possível deixar uma empresa com fluxo de caixa diário chegar a uma situação financeira tão indelicada que comprometesse seriamente o seu futuro. É extremamente desagradável quando verifico em alguns pátios de instituições financeiras, ônibus que foram confiscados para liquidar financiamentos que muitas vezes não eram para investimentos na empresa e sim para aumentar o patrimônio de alguns diretores.
Não obstante as atitudes e situações que envolveram todo o processo da ECCB, porque não, ao invés de comprometer o nível de emprego e de renda da cidade, o poder público municipal, avalie a possibilidade de formar um consórcio municipal com recursos públicos conjuntamente com o Grêmio da ECCB, por um período de no máximo seis meses, visando no curto prazo, a prospecção de grupos empresariais interessados em realizar investimentos, principalmente se analisar o conjunto de oportunidades que envolve o segmento como: potencial da cidade, instalações físicas da ECCB, quantidade de carros que integram o seu patrimônio, etc.... Obviamente, o novo grupo teria como garantia a aprovação da concessão municipal nos termos e prazos que a lei confere. Isto, com certeza, promoveria a competição entre os concorrentes, ganhando os usuários do transporte coletivo e a sociedade como um todo. (Carlos Marcelo Sanchez Dias, Belo Horizonte / MG - e mail: carlos.sanchez@fiat.com.br e patymar@terra.com.br)