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Emprego e trabalhador: Procura-se

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

A problemática do desemprego vem há anos assombrando trabalhadores de todo o País e, por que não dizer, de várias outras partes do mundo. É um cruel fenômeno da economia global. Quem tem emprego formal, aquele com carteira assinada, faz de tudo para não perdê-lo, inclusive passar longe dos movimentos sindicais que reivindicam melhores salários e condições de trabalho.

Quem entrou - forçosamente - para o time dos desocupados convive com o fantasma diariamente, lutando ferozmente com a concorrência que cresce dia após dia. Há, porém, os desesperançosos que nem se arriscam nas batalhas. Alguns, por sinal, mal sabem que podem conseguir armas e, com mérito e dedicação, vencer a disputa.

Quem já ouviu falar do desemprego (ou o experimenta na pele), talvez esteja cansado de palavras como qualificação e reciclagem, mas a camada mais pobre e, conseqüentemente, mais atingida da população ainda desconhece as não tão novas regras e imposições do mercado. É na periferia mais pobre das cidades, e em Bauru é assim, que as grandes vítimas da segregação empregatícia estão concentradas. Não bastasse a escolha obrigatória de morar em locais mal estruturados, essa gente ainda amarga a escolaridade incompleta e, não raro, o total analfabetismo, condições hoje incompatíveis para o exercício das funções mais simples no mercado de trabalho. Isolada das informações, essa parcela sequer chega a ter a exata noção do que precisaria fazer para ser readmitida.

Favelados e moradores dos cantos mais extremos de Bauru, por exemplo, vivem de bicos ou de subempregos pelo simples fato de não conhecerem programas de educação formal, o primeiro passo para se chegar à tão comentada qualificação profissional.

O Centro Educacional de Jovens e Adultos (Ceja), da Secretaria Municipal da Educação, já constatou que um contingente expressivo da população bauruense desconhece o programa supletivo direcionado ao público adulto. O problema é que a maioria dessas pessoas não chegou a completar o primeiro ciclo do ensino fundamental (4.ª série).

É claro que não podemos nos furtar de dizer que o fator acomodação também agrava o quadro de desemprego na cidade. Muita gente, notadamente aqueles que estão há mais tempo sem emprego, parece resignada com a situação. Deus quer assim, chegam a justificar. Nesses casos, a questão tende mais para o lado psicológico da baixa estima. Sem estudo, sem emprego, sem renda e desacreditada pelos entes próximos, essa pessoa acaba se julgando incapaz de conseguir uma ocupação. Situações do tipo, mais freqüentes do que se imagina, requerem, mais do que o emprego, um trabalho social específico. Se o problema fosse só de desemprego, a solução seria mais fácil. Dependendo do caso, temos primeiro que resolver o problema do filho que está praticando atos infracionais antes de tentar ocupar o pai e a mãe. É um trabalho que realmente exige dedicação, mas que ainda é muito insuficiente perto da demanda, explica Sandra Scriptore, titular da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes).

Voltando ao desemprego propriamente dito, cabe salientar que as vagas estão longe do esgotamento. O mercado, no entanto e como há muito já se repete, busca a excelência dos serviços. Isso, porém, não significa que o candidato deva ser doutor, engenheiro ou qualquer outro tipo de diplomado, mas um trabalhador esmerado na função escolhida. Em Bauru, para exemplificar, o mercado ainda é vasto para os prestadores de serviços autônomos. O ramo da construção civil também continua aberto a contratações, mas ser pedreiro pura e simplesmente não basta.

Quando dizemos que as vagas existem, estamos falando em espaço para os bons jardineiros, bons eletricistas, bons reparadores de estofados e geladeiras, bons assentadores de tijolos, azulejos e pisos. A procura pelos bons profissionais é grande e constante, ao passo que a oferta de serviços ainda deixa a desejar. Como então entender o tão reclamado desemprego?

Esta semana, o JC nos Bairros vai discutir essa contradição e mostrar que a falta de emprego pode ser minimizada a partir de ações governamentais, não governamentais, parcerias e, principalmente, comunitárias. As associações de moradores têm importante papel de informar e de levar a seus representados uma esperança. Ninguém aqui está querendo sugerir a garantia de emprego, mas a possibilidade de se buscar instrumentos que certamente ajudarão na hora de pleiteá-lo.

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