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Redução de 10% depende de funcionários

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Administradores dizem que é muito difícil reduzir o gasto em hospitais, que já fazem um uso racional da energia elétrica e mantêm equipamentos de alto consumo

A Resolução do Governo, anunciada no último dia 25, determina que hospitais e outras instituições de saúde promovam uma redução de 10% no consumo de energia, tendo como base os gastos correspondentes aos meses de maio, junho e julho do ano passado. Na opinião dos administradores, essa redução depende diretamente da mudança de comportamento e do bom senso dos funcionários. Afinal, os equipamentos que mais consomem energia dentro de um hospital não podem ser desligados.

Em todas as unidades, a ordem é economizar. E isso já pôde ser visto esta semana: luzes apagadas, ar condicionado e ventiladores desligados, cortinas abertas.

Nos 27 serviços gerenciados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), todos os funcionários receberam uma circular com as medidas que deveriam ser adotadas. De acordo com a secretária substituta, Sônia Fiocchi, além de desligar tudo o que não estiver sendo usado, os funcionários devem aproveitar a luz natural e ficam proibidos de ligar aparelhos elétricos de uso pessoal (rádios, carregadores de celular, etc.). Até os bebedouros elétricos deverão permanecer desligados no inverno e a máquina copiadora passará a funcionar apenas em dois horários por dia.

No Instituto Lauro de Souza Lima, também houve uma redução no uso da caldeira em feriados e finais de semana. E os laboratórios estão otimizando o uso de equipamentos para o processamento dos exames. Aquilo que era feito durante um dia inteiro, passa a ser concentrado em um único horário, comentou a diretora administrativa, Cristina Oliveira.

Para as unidades gerenciadas pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB), foram criados grupos de fiscalização para percorrer todas as dependências e promover a conscientização de funcionários, usuários e visitantes. Segundo o superintendente Affonso Viviani Júnior, a principal mudança deverá ser no Hospital de Base, que teve três de seus cinco elevadores desativados. A intenção é que apenas funcionários com material e pacientes em macas ou cadeiras de rodas utilizem o elevador. Aos demais, será solicitado o uso das escadas, disse.

Na Beneficência Portuguesa, a principal medida adotada no intuito de reduzir o consumo de energia foi a instalação de uma caldeira a gás. A água aquecida por este sistema é distribuída para os chuveiros dos 150 leitos, para a cozinha e lavanderia. Só com isso eu acredito que já teremos uma economia bem superior aos 20%, porque os chuveiros gastam bastante, comentou o diretor presidente da unidade, Aníbal Alves de Carvalho.

Centrinho

O hospital tem certas particularidades que não permitem a redução de energia. O Centrinho, por exemplo, tem cerca de 25 cirurgias por dia e não tem jeito de fazer uma redução dentro de um centro cirúrgico. Você não pode operar com meia luz. Na UTI, você depende da energia para os respiradores, monitores. E depende de uma boa iluminação até para observar o paciente, afirmou o diretor clínico do Centrinho, Luiz Fernando Ribeiro.

O médico ressaltou que os serviços do hospital, com exceção das internações, são interrompidos às 19 horas, quando toda a área administrativa da instituição permanece desligada, com luzes apagadas. Quer dizer, nós já fazemos um uso racional da energia, já não funcionamos à noite. Eu posso desligar os aparelhos da UTI à noite? Não posso. Afinal de contas, é obrigação do hospital garantir a vida, então, é uma situação extremamente complicada, completou.

Unimed

De todos os hospitais, o da Unimed é o que deverá ter mais problemas com o racionamento. Em maio/junho/julho do ano passado, o hospital tinha uma ala a menos e um número infinitamente menor de pacientes e procedimentos. É um hospital novo, que está em desenvolvimento. Evidentemente, nosso gasto com energia aumentou e não temos como reduzir, atentou o diretor, Fernando Monti. Conforme as determinações do Governo, a administração deverá recorrer.

Unimed descarta aumento

Questionado a respeito de um possível aumento no valor das mensalidades para os conveniados em função do racionamento de energia, o presidente da Unimed, Carlos Eduardo Sacomandi, descartou essa possibilidade. Não tem porquê repassar para o usuário. Nós estamos fazendo a economia e deveremos funcionar o gerador no hospital. Não vejo porque isso deva implicar no preço das mensalidades.

Outra questão levantada foi a das clínicas que fazem exames complexos, como ressonância magnética, ultrassonografias, tomografias e similares: para reduzir o consumo, elas poderiam reduzir o número de exames realizados diariamente. Isso resultaria em fila de espera para marcar os exames. Acho que isso não vai acontecer. Chega um doente pedindo tomografia, você fala que não vai fazer porque está economizando e a coisa complica, quem é o culpado? Então, acho que esse tipo de serviço que tem risco de vida não pode mudar. Se eu fosse dono de um serviço assim, eu pagaria mais pelo gasto, mas não cortaria o exame, alegou.

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