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Justiça propõe grupo de apoio à adoção

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Especialista fala da necessidade de que crianças mais velhas e de cor diferente da dos pais interessados também sejam adotadas

A Vara da Infância e Juventude de Bauru deve criar, em aproximadamente um mês, um grupo de apoio à adoção. A proposta foi lançada sábado, durante a I Jornada sobre Adoção e Prevenção do Abandono, realizada na Instituição Toledo de Ensino (ITE). O evento, organizado pela equipe de psicólogos e assistentes sociais judiciários, reuniu cerca de 250 pessoas de várias cidades da região.

Considerado uma das principais referências brasileiras no assunto, um dos palestrantes, Fernando Freire, psicólogo da Associação Brasileira Terra dos Homens, disse ao Jornal da Cidade que é preciso mudar a mentalidade dos casais que buscam um filho adotivo: Existe, ainda, uma idéia de que a adoção existe apenas para satisfazer o desejo dos casais que não podem ter filhos biológicos. Então, eles procuram um recém-nascido, com as mesmas características deles. Eu considero que, na verdade, a adoção existe para dar uma família a uma criança.

De acordo com Freire, a mentalidade vigente deixa marginalizadas todas aquelas crianças mais velhas, de cor e características físicas diferentes da do casal interessado, aquelas que têm irmãos também para a adoção, as portadoras do vírus HIV ou outra doença congênita.

São crianças que apresentam necessidades especiais. Estou aqui para propor elementos que contribuam para o surgimento de uma nova cultura em relação à adoção: a adoção que é uma expressão de um direito da criança. Toda criança tem direito à convivência familiar e comunitária. Isto está na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Entretanto, milhares delas vivem permanentemente em abrigos, afirmou Freire.

Ele explicou que as pessoas envolvidas no cuidado da criança trabalham em dois caminhos distintos. O primeiro deles é agir no intuito de reintegrar a criança abrigada à família de origem. Isso implica desenvolver estratégias de apoio social e comunitário, verificar se são apenas questões financeiras que impossibilitam a permanência dessas crianças nas famílias ou reconhecer que essa reintegração não é mais possível ou desejável.

Nesse segundo caso, inicia-se um processo lento de destituição do pátrio poder, para permitir que a criança possa ser adotada.

Grupo de apoio

Na opinião de Freire, a criação de grupos de apoio é muito importante nesse trabalho e deve envolver psicólogos, assistentes sociais, pais adotivos, filhos adotivos, casais interessados em adotar, promotores de Justiça e todos os demais envolvidos. Ele também citou a importância da participação das universidades, promovendo estudos e pesquisas que possam alimentar esses grupos de informações e sugestões para o desenvolvimento de outros trabalhos.

De acordo com o psicólogo judiciário Maurício Ribeiro de Almeida, um dos organizadores da Jornada, os participantes do evento interessados em participar do grupo deveriam deixar seus nomes e telefones de contato com a Organização. Eles serão convidados para uma reunião nas próximas semanas. Almeida acredita que o grupo deverá começar a atuar em aproximadamente um mês.

Ele informou que, atualmente, Bauru tem 160 crianças abrigadas na Casa da Criança, mantida pela Sociedade Beneficente Cristã (Paiva). Destas, segundo ele, muitas são crianças que ainda mantêm contato com as famílias de origem e os profissionais trabalham para reintegrá-las. As crianças adotáveis ou em processo de destituição do pátrio poder são, quase sempre, crianças mais velhas, que acabam sendo deixadas de lado na hora da adoção.

Livros

O psicólogo Fernando Freire e a palestrante Gabriela Schreiner, diretora do Centro de Capacitação e Incentivo à Formação de profissionais, voluntários e organizações que desenvolvem trabalho de apoio à convivência familiar (CeCIF), aproveitaram a Jornada para apresentar aos participantes seus livros recém-lançados.

Freire está lançando o terceiro volume da publicação Abandono e Adoção - contribuições para uma cultura da adoção, que apresenta depoimentos de pais adotivos, filhos adotivos e profissionais. A intenção é que estes depoimentos contribuam para essa nova cultura que queremos construir, disse. Ele também publicou, anteriormente, dois volumes de Os desafios da adoção no Brasil

Schreiner apresentou o livro 101 perguntas e respostas sobre adoção, que busca esclarecer as dúvidas mais freqüentes dos casais interessados em adotar uma criança, ou das crianças que convivem com pais adotivos e, ainda, dos profissionais que atuam nessa área.

Serviço

O psicólogo Fernando Freire edita, há três anos, o boletim Uma família para uma criança. Pessoas interessadas em receber o periódico podem fazer a solicitação para a Caixa Postal 18092, Curitiba (Paraná), CEP 80811-970.

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