A cobrança de contas antigas, algumas com mais de quatro anos, depois que a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) havia informado que não havia pendências em relação aos mesmos imóveis, está provocando problemas para algumas imobiliárias e consumidores de Bauru. A preocupação é de que a sistemática possa trazer prejuízos para as administradoras e, mesmo, para os proprietários das unidades que, até receberem as cobranças, acreditam que não existem débitos.
José Martinho Teixeira da Silva, diretor da Imobiliária Obradec, reclama da cobrança que um dos imóveis sob sua administração está sofrendo, referente a janeiro de 1997. De acordo com ele, antes do atual inquilino locar, foi feita uma verificação que não apontou qualquer débito. Porém, agora, a MonReal, uma terceirizada contratada pela CPFL, está cobrando a dívida de quatro anos e quatro meses.
Martinho destaca que, pelos critérios adotados pela Paulista, a ligação desse imóvel deveria ter sido cortada há, pelo menos, quatro anos. No entanto, houve a continuidade no fornecimento de energia e somente agora a suposta dívida está sendo cobrada. Como vamos localizar o inquilino que morava naquele imóvel há quatro anos? Como a dívida é do imóvel, quem vai ter que arcar pela ineficiência da CPFL? O atual inquilino, o proprietário ou a imobiliária? Isso não é correto, reclama o corretor.
Para Martinho, se isso passar a ocorrer com freqüência, as imobiliárias vão passar por um grande transtorno. A questão é que a não-cobrança correta pode acabar trazendo prejuízos para proprietários ou administradoras. É uma situação que pode ser muito danosa, destacou.
Rose Elaine Teixeira, gerente de locação da Elias Imóveis, destaca que a imobiliária vem enfrentando uma série de problemas com a CPFL, principalmente em relação a contas. Ela lembra que administra um imóvel que ficou 12 meses sem que a conta fosse paga, em razão do imóvel estar vazio, sem que a Companhia fizesse o corte do fornecimento. Porém, em outro caso, em 27 dias após o vencimento da primeira conta, a empresa cortou o fornecimento.
Nesse mesmo imóvel que estava fechado, a partir de maio, a empresa passou cobrar R$ 20,11 pelo custo do dispositivo de sistema elétrico (relógio), que não foi retirado do apartamento quando o fornecimento foi interrompido. A MonReal também fez a cobrança dos atrasados. Porém, Rose questiona a falta de ação da empresa em fazer o corte, como é o normal.
Outro caso que a gerente de locação vem encontrando é a cobrança de contas antigas, apesar da imobiliária ter verificado que não havia débito quando foi alugar o imóvel para o atual inquilino. Cria-se um problema para nós, afirmou.
Rose afirma que ao tentar obter respostas para os problemas pelo call center (0800-101010) não consegue obter explicações convincentes sobre cada um dos casos. Para ela, a empresa deveria adotar critérios uniformes para todos os casos. Rose reclama, ainda, das dificuldades para acessar o serviço de reclamação da Paulista, que já não é mais em Bauru.
Rose diz que as imobiliárias acabam trabalhando por tabela para a CPFL, pois têm o interesse que não fiquem contas pendentes nos imóveis que são desocupados, para evitar que surjam problemas posteriores. Mas, o atendimento que dão para as imobiliárias é com descaso, como se nós perturbássemos ao invés de querer ajudar, afirmou.
A gerente de locação reclama, ainda, do fato da empresa não aceitar mais que o cliente possa informar a leitura por telefone. Além disso, diz que, em alguns casos, consumidores estão sendo ameaçados de terem a energia cortada se não colocarem os medidores voltados para a rua, para facilitar a medição do consumo.
O presidente da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), Fernando César Pegorin, informou que a entidade tem recebido reclamações de alguns associados sobre a atuação da CPFL.
De acordo com ele, a situação já esteve pior, porém, apesar da melhora, as administradoras ainda enfrentam muitas dificuldades, que poderiam ser eliminadas. Somos aliados da CPFL. Então, a empresa poderia facilitar a vida das imobiliárias, afirma.
Outro lado
De acordo com a assessoria de imprensa da CPFL, a empresa fez um levantamento à respeito da dívida de quatro anos que somente agora está sendo cobrada e constatou que o débito é devido. A assessoria diz que o problema está sendo verificado pela consultoria jurídica da empresa, que está avaliando a validade da cobrança da conta. Depois da análise do faturamento, a questão voltará para o setor comercial para um posicionamento formal.
Sobre o imóvel que não teve o fornecimento interrompido, apesar do não-pagamento por 12 meses, a assessoria diz que a unidade não entrou na lista de cortes por problemas de sistema da CPFL, que mostrava que os débitos mensais estavam liquidados, quando na verdade não havia o pagamento. Porém, a Paulista diz que as contas são devidas porque o cliente não solicitou o desligamento, como seria o correto. Foi uma falha do sistema. A CPFL tem 2,7 milhões de clientes e, de vez enquando, escapa uma coisinha dessas, afirmou um membro da assessoria.