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Câmara aprova veto à meia-entrada

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Presidente do Legislativo, Walter Costa (PPS) deu voto de Minerva; mais de 500 estudantes acompanharam a votação

A Câmara Municipal aprovou ontem, por 11 votos a favor e dez contra, o veto do prefeito Nilson Costa (PPS) ao projeto de lei de autoria do vereador Rodrigo Agostinho (PMDB), que permitiria o uso de carteirinhas de identificação estudantil das instituições educacionais particulares e estatais na aquisição de meia-entrada para shows artísticos, peças teatrais e demais atividades culturais.

Cerca de 500 estudantes prós e contra o projeto acompanharam a votação do lado de fora do prédio do Legislativo. Dois caminhões de som - comandados por lideranças estudantis favoráveis e contrários à proposta - disputaram espaço e discursos inflamados em frente à Câmara. Um grupo de 36 policiais militares garantiu a segurança dos manifestantes. A PM não registrou nenhum incidente grave. Apenas alguns empurrões entre estudantes que defendiam posições diferentes.

A pista da avenida Rodrigues Alves, sentido Centro-bairro, foi interditada para liberar as manifestações. Por parte dos estudantes favoráveis à derrubada do veto do prefeito, foi utilizado o caminhão de som do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região. Já a União Nacional dos Estudantes (UNE) contratou o serviço de particulares. A entidade estudantil também fretou ônibus para transportar alunos de escolas favoráveis ao veto. Quem foi, ainda teve direito a lanche antes do retorno para casa.

Voto de Minerva

Antes do início da discussão e votação do veto, o clima no plenário era de expectativa e sabia-se que o empate poderia ocorrer. Vários vereadores que votaram a favor da projeto, há cerca de um mês, aprovado por 19 votos a favor e apenas um contra, decidiram recuar diante da pressão do comando da Administração.

Segundo informações extra-oficiais, o chefe de Gabinete da Prefeitura, Antonio Sérgio Marsola, telefonou para vários parlamentares, durante o dia de ontem, pedindo a manutenção do veto do prefeito. Do grupo situacionista, poucos mantiveram a coerência, entre os quais Edmundo Albuquerque (PPS) e José Eduardo Ávila (PPB), que votaram a favor da proposta há cerca de um mês.

A votação do veto acabou em empate: 10X10. O presidente da Câmara, Walter Costa (PPS), foi obrigado a dar o voto de Minerva. Ele votou a favor da manutenção do veto, encerrando o processo a favor do prefeito Nilson Costa. Poucos vereadores utilizaram a tribuna para comentar o veto de Nilson. Os discursos mais polêmicos foram feitos por Majô Jandreice (PC do B) - que na votação do mérito do projeto se posicionou contra - e Rodrigo Agostinho, autor da proposta.

Caixa preta

O peemedebista fez duras críticas ao monopólio exercido pela UNE na emissão de carteirinhas que permitem aos estudantes adquirirem meia-entrada em eventos culturais. O documento custa R$ 15,00. Agostinho denunciou que a entidade estudantil arrecadou cerca de R$ 3,7 milhões no ano passado e só destinou R$ 18 mil às universidades.

A UNE gastou R$ 36 mil para pagar contas de telefone e R$ 200 mil em ajuda de custo a seus diretores, expôs. Segundo o vereador, a entidade arrecada cerca de R$ 200 mil em Bauru com as vendas das carteirinhas, valor que não retorna em nenhum benefício aos estudantes. Eu pedi a prestação de contas para a UNE e me comprometi a retirar o projeto se os documentos fossem enviados, o que não aconteceu.

Majô, que é filiada ao PC do B - partido que controla boa parte do movimento estudantil no País - contra-atacou. Irritada, ela afirmou que Agostinho manipulou informações sobre a entidade. O que está em votação aqui não é a UNE e nem a UEE. Se desejarem, os centros e os diretórios acadêmicos podem emitir a carteirinha, defendeu.

A vereadora avaliou que há, no País, um processo de desmonte de entidades representativas de todos os segmentos da sociedade organizada. São movimentos conservadores, reacionários, a favor do neoliberalismo. A comunista rebateu as acusações de que seu partido controla as entidades estudantis do País. Na direção das entidades há jovens de todos os partidos, garantiu.

Quem votou a favor

- Faria Neto (PDT)- José Carlos Batata (PT)- José Humberto Santana (PDT)- Leandro Martins (PPB)- Majô Jandreice (PCdoB)- Milton Dota Jr. (PPS)- Osvaldo Paquito (sem partido)- Pastor Luiz (sem partido)- Paulo Eduardo Martins Neto (PFL)- Renato Purini (PDT)- Walter Costa (PPS)

Quem votou contra

- Antonio Garmes (PSDB)- Edmundo Albuquerque (PPS)- João Parreira (PSDB)- José Clemente Rezende (PSB)- José Eduardo Ávila (PPB)- José Walter Lelo Rodrigues (PTB)- Luiz Carlos Valle (PSB)- Paulo Madureira (PPB)- Roberto Bueno (PTB)- Rodrigo Agostinho (PMDB)

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