Geral

Continuam a multiplicar-se as evidências

(*) Jorge Boaventura
| Tempo de leitura: 3 min

Em nossa Reflexões de há duas semanas, falávamos da multiplicação de evidências sobre o funcionamento do modelo institucional sob o qual vivemos e que, quando convém ao poder central que, cada vez mais evidente, conduz segundo suas próprias conveniências, os acontecimentos em nível mundial, é promovido, aqui como alhures, embora esteja muitíssimo longe de corresponder aos interesses do bem comum. Naquela oportunidade, aludimos à lição que, em apenas quatro e simples palavras, ilumina o caminho da verdade sobre a qualidade de algo que nos é proposto à consideração pela nossa inteligência: pelos frutos os conhecereis. O que, de mais límpido e conciso, e de natureza objetivamente pragmática, pode ser imaginado como critério de avaliação e julgamento? E, no caso das formas institucionais que são apregoadas como perfeitas e, por isso, irretocáveis, quais os frutos que têm produzido? É, ou não, verdade que, por toda a parte, vêm grassando a dissolução dos costumes, a ausência de segurança, a dissolução da instituição familiar, a proliferação do uso de drogas, os conflitos e guerras localizados, a pandemia da aids, conseqüente, não à falta do uso da camisinha, mas à promiscuidade sexual - sua verdadeira causa original - de vez que o uso da tal camisinha reduz os riscos, mas não os elimina, verdade cientificamente comprovada, mas que a própria propaganda institucional paga, portanto, com o dinheiro público, escamoteia do conhecimento geral, dando prosseguimento a uma propaganda, em tal sentido, nítida e perigosamente enganosa? É ou não verdade que, aqui e alhures, com freqüência crescente, muitos dos supostos representantes do povo, na verdade ocupam-se com traí-lo em benefício próprio e, na maioria dos casos, permanecem impunes? Além, então, da propaganda avassaladora, mantida pelos interesses dos que desejam as sociedades entregues ao cinismo para que, assim no clima resultante, prospera, desenfreado, o egoísmo que traz a divisão e, com ela, a incapacidade para defender-se, o que é que nos mostra a realidade?

Ainda há pouco a nação, no que tenha de melhor, acompanhava estarrecida as acusações gravíssimas que um senador fazia a outro, escândalo a que se seguiu o episódio da violação do painel eletrônico do Senado, para a extração de uma lista referente aos votos de uma votação secreta, que resultara na cassação do mandato de outro representante do povo naquela Casa, acusado de roubo de dinheiro público. Escândalo, diga-se de passagem, como já temos tido oportunidade de realçar, com dois aspectos mantidos em quase total silêncio pela grande mídia: o da existência de casos em que os representantes do povo entendem mantê-lo ignorante de decisões que tomam, entretanto em seu nome, de vez que se proclamam seus representantes, e o da vulnerabilidade do painel com a afirmação enfaticamente feita pela ex-diretora do Prodasen sobre o fato - e nunca será demasiado repeti-lo - de que não existe programa, software eletrônico, que seja invulnerável à ação de hackers. Tal afirmação, supomos, coloca sob suspeita todo o sistema eleitoral do País, totalmente informatizado, e a toque de caixa, recentemente.

Quanto ao resto, permanecem o desemprego, a desesperança, a miséria, a saúde pública no estado que todos sabemos e agora, como se nada disso bastasse, a ameaça de apagões, com um chefe de Executivo em exercício há cerca de sete anos declarando-se pego (sic) de surpresa pela crise energética! Uma sociedade no mundo atual assenta sobre a matriz energética; como ser pego (sic), de surpresa? E tudo isso passa mais ou menos em brancas nuvens, e a propaganda dos senhores do mundo continua a repetir, bilhões de vezes, que esse é o mais perfeito e, portanto, insubstituível modelo institucional! Qual é, porém, o sabor dos frutos que vem produzindo?

(*)Home-page: www//jorgeboaventura.jor.brE-mail: boaventura@jorgeboaventura.jor.br

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