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O amor que falta...

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Tanto quanto muitas de suas antecessoras no seio da humanidade, dentre todas aquelas que Deus tem enviado ao mundo para despertar em seus malcriados filhos os necessários sentimentos de amor e respeito, a querida Madre Teresa de Calcutá se notabilizou, neste século de desamor e violência, como aquela que viria a recondicionar, com plena e integral profundidade, tão grande número de pecaminosas manifestações humanas. E é o que ela fez, até sua indesejada e indesejável morte há pouco tempo, nos recentes idos de 1997, desenvolvendo, para conhecimento universal, as belas lições que, desde seu auspicioso nascedouro, lhe foram incutidas por seu Criador, na principal das quais ela prega a integral medida da amizade e do amor, invocando-a com tanta expressividade que todos deveriam e teriam mesmo de acolhê-la e praticá-la com o maior calor de sua alma. Observem como que ela invoca o despertar das pessoas para toda bondade: Senhor, quando eu tiver fome, dai-me alguém que necessite de comida; quando eu tiver sede, dai-me alguém que precise de água; quando eu tiver frio, dai-me alguém que necessite de calor. Quando eu tiver um aborrecimento, dai-me alguém que necessite de consolo; quando minha cruz parecer pesada, dai-me compartilhar a cruz do outro; quando me achar pobre, ponde a meu lado alguém necessitado. Quando eu tiver tempo, dai-me alguém que precise de alguns dos meus minutos. Quando eu sofrer humilhação, dai-me ocasião para elogiar alguém; quando eu estiver desanimado, dai-me alguém para lhe dar novo ânimo; quando sentir necessidade da compreensão dos outros, dai-me alguém que necessite da minha ajuda; quando eu sentir necessidade de que cuidem de mim, dai-me alguém que eu tenha de atender. Quando eu pensar em mim mesmo, voltai minha atenção para outra pessoa. Tornai-nos dignos, Senhor, de servir nossos irmãos que vivem e morrem pobres e com fome no mundo de hoje. Dai-lhes através de suas mãos o pão de cada dia e graças ao nosso amor compassivo, à paz e à alegria. Muito bem, prezada religiosa, que já tantos benefícios trouxe à humanidade, e, por isso, está prestes a ser solenemente beatificada. Dá-lhe, dessa forma, o Papa João Paulo, o merecido reconhecimento das bênçãos dos céus que lhe faltem de parte dos seres do século em que vivem e que é vivido, também, igualmente por ela, com as angústias naturais de uma santa, verdadeiramente santa, como é reconhecida pela beatificação que lhe vai ser concedida pela maior autoridade da Igreja, a quem já se deve a santificação de outras igualmente santas como ela. Neste universo de terríveis violências e de carência de fraternidade humana nunca foi tão imprescindível à humanidade ler, reler e obedecer ao poema Dai-me alguém para amar, deixado pela excelsa Madre e que reproduzimos acima. É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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