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Indústria registra queda de 0,21% no nível de emprego

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

De acordo com levantamento feito pela diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru, que abrange 17 municípios, o nível de emprego no setor industrial registrado em abril deste ano teve uma queda de 0,21% em relação ao mês anterior. Isso teria significado uma redução de aproximadamente 34 postos de trabalho na região. Na comparação com abril do ano passado, o cenário é um pouco melhor, já que a queda registrada naquele mês (em 2000) foi de 0,52%.

Com o resultado de abril, o acumulado do ano 2001 chega a menos 1,36%, representando uma redução de aproximadamente 222 postos de trabalho. Nos últimos 12 meses, os resultados são negativos em 0,27%.

Na análise do Departamento de Pesquisa (Depecom) do Ciesp, o índice de emprego do setor industrial na região de Bauru em abril teria sido influenciado, principalmente, pelas variações negativas dos setores de editorial e gráfica e de produtos alimentares, respectivamente, de menos 1,30% e menos 0,19%. Segundo o Depecom, esses setores são predominantes na região por número de empregados, ou seja, os que mais influenciam na ponderação do cálculo do índice total. O resultado só não teria sido pior devido à variação positiva do setor de materiais elétricos, eletrônicos e de comunicações, que ficou em 2,33% e também é predominante na região.

Para o Estado de São Paulo, o acumulado no ano é positivo em 0,17%. Nos últimos 12 meses o Estado teve um desempenho melhor que o da região de Bauru, com um percentual positivo de 1,34%.

Na avaliação do diretor do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, no ano passado a indústria teve um desempenho acentuado, portanto, aumentou a base de comparação. Porém, a manutenção disso seria muito complicada em função de diversas situações mais recentes, como a crise energética e as taxas de juros. No primeiro trimestre deste ano, não houve um reflexo forte das últimas decisões do Conselho de Política Monetária (Copom), sobre as taxas de juros. O Copom mudou as taxas em abril e em maio. Naturalmente, isso inibe um pouco a expansão da indústria. Além disso, os reflexos da crise energética ficaram mais contundentes a partir do final de abril e início de maio. Então, esses números divulgados pelo Ciesp poderiam ser avaliados como estáveis, já que a queda foi pequena. Porém, essa estabilidade não estabelece um parâmetro de tendência, porque a partir de maio a situação começou a mudar completamente, avalia o economista.

De acordo com Cafeo, em função do cenário brasileiro ter sido muito alterado nos últimos 45 dias, em função da crise de energia elétrica, os números levantados pelo Ciesp em relação ao mês de abril não podem ser considerados como uma tendência a ser seguida. O índice de confiança do consumidor e do setor industrial diminuiu, o que indica que essa avaliação do Ciesp não pode ser vista como uma tendência de estabilidade para os próximos meses, porque o cenário brasileiro se alterou muito nos últimos 45 dias e vai continuar mudando. A tendência que se mostra é de agravamento dos níveis de emprego e do próprio nível de atividade do setor industrial, já que houve uma mudança conjuntural muito significativa. Se a crise energética afetar o nível de atividade como está sendo previsto, o PIB deverá cair entre um e dois pontos percentuais este ano, observa Cafeo.

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