Geral

Pimenta para quem gosta...

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Segue resolutamente posta, enfeitada com diversos pratos apimentados, para deleite irrefreável de quantos gostem de alimentos ardidos, a enorme mesa das divergências e desencontros político-administrativos nacionais. Acontece que o relacionamento entre os homens do Executivo e do Congresso nacionais, que se contundiu grosseiramente desde o primeiro mandato do atual chefe da Nação, veio, infelizmente, a se agravar ao nível abrupto dos embates pugilísticos, como decorrência de uma Oposição legislativa perceptivelmente figadal e de uma Situação destituída de veias democraticamente conciliatórias. E aí está a luta da queda de braços se movimentando a todo vapor, parecendo que vai terminar empatada.

O quadro denota que ventos tempestuosos estão impulsionando o País para um Natal sem paz e felicidade, o que acontecerá inapelavelmente a menos que mentores de boa vontade e patriotismo decidam esfriar a cabeça enrubecida e abram o coração para o imprescindível entendimento pessoal e político, estabelecendo uma trégua benfazeja nos seus desentendimentos materiais e, mais que isso, largando mão de alguma coisa da sua duvidosa e ameaçadora autoridade, da voracidade de seu apetite e dos ataques perigosos de sua vaidade. São perceptíveis os fatores, com traços ostentatórios, que estão tornando mais difíceis os passos daquele Brasil que seus dirigentes governamentais decidiram experimentar desde os anos 90. Percebem-se escorregões nos que governam e nos que são governados, sem que aqueles que claudiquem esbocem algum esforço para sacudir a poeira da sandália e dar a volta por cima, buscando corrigir os erros para encontrar a vereda certa e, finalmente, descobrir a conciliação ideal. E com essa indisposição para a harmonia ou a fraternidade a Oposição deita e rola no Legislativo, abjurando Medidas Provisórias e definitivas, bem como outras iniciativas do chefe da Nação, contrapondo-se a quase tudo que lhe vem do Planalto, e, conseqüentemente, os desejados sonhos de noites de verão vão sendo jogados para outras épocas, quando, também, poderão deixar de aconter totalmente sob os cobertores ou edredons da desprotegida população se a sua viabilidade ou inspiração continuar condicionada a radicalismos de várias procedências, que não levam a nada e, logicamente, contribuem para que tudo aqui não volte a ficar como antes, no que de melhor tenha o amplíssimo seio de Abrantes... E, de parte do Executivo, há a contrapartida! Vai ser um criminoso impatriotismo se os homens que comandam a Nação continuarem se digladiando e impedindo que o Brasil se transforme, logo-logo, em um País pacificado e, por isso, viável para todos. É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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