Nestes tempos, modernos tempos de desemprego, falta de dinheiro, violência, escândalos, corrupção, apagões e tantas adversidades, me deparo com algo inusitado, estou feliz, estou em paz. Mas como posso estar feliz, em paz, se o mundo está assim tão cheio de desditas?
Pois é, o mundo está cheio de desditas, mas eu não, não estou porque sei que a paz, a felicidade, a saúde encontram-se dentro de mim, dentro das pequenas coisas da vida que, por serem tão pequenas não precisam de dinheiro, de luz, de entendimento externo, de luxo, ou de qualquer insumo a mais a não ser eu mesma.
É, eu mesma concentrada no prazer que tenho quando tomo um banho, quando levo um pouco de comida à boca, quando me deito e sinto meu corpo repousar, quando olho o sol, maravilhoso, claro, quentinho, quando me sento ao lado da minha família e juntos fazemos nossas lições de casa ou falamos do nosso dia-a-dia, quando saio de casa e percebo que meus pés me levam pra onde eu quero, quando minhas mãos tocam os objetos, quando vejo os passarinhos, minha cachorra Suzy, quando encontro meus amigos, queridos amigos e passamos horas e horas a papear, a trocar idéias e alegrias.
Pois é, acho que eu ficaria aqui infinitamente discorrendo sobre as coisas que me dão prazer, porque tenho tanto prazer, tenho tantos motivos pra sentir prazer, que não posso ficar a lamentar coisas que estão aí fora, fora do meu alcance, fora do meu entendimento, fora da minha realidade.
A minha realidade eu faço, porque sou criadora. O resto, ora, o resto é ilusão. (Aurea Rita de Oliveira Sampaio - RG 11.226.273)